sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Operação contra milicianos termina com 19 presos no Rio



Foto: Reprodução/TV Globo
A Secretaria estadual de Segurança do Rio informou, na noite desta quinta-feira (22), que 19 pessoas foram presas durante a “Operação Lobão”, que desarticulou três quadrilhas de milicianos na Zona Norte. Segundo o órgão, a ação já terminou e 11 suspeitos continuam foragidos, entre eles um inspetor da Polícia Civil.
Do total de presos, de acordo com a secretaria, há oito policiais militares e um inspetor da Polícia Civil.
Mais cedo, a Secretaria de Segurança havia informado que eram nove PMs presos, no entanto, em nota oficial divulgada no início desta noite, o órgão retificou a informação, afirmando que foram oito policiais militares presos. De acordo com o delegado da Corregedoria Geral Unificada, Marcelo Rodrigues, os três grupos agiam em Brás de Pina e Cordovil.
O delegado informou, ainda, que todos os suspeitos controlavam central de gatonet, transporte alternativo, gás, taxa de segurança da comunidade, entre outras ações ilícitas praticadas por milicianos. Foram apreendidos carregadores de pistola, fardas da Polícia Militar e documentos. Agentes também estouraram uma central clandestina de televisão a cabo no bairro de Cordovil, no subúrbio da cidade.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que não vai se pronunciar.
Tentativa de homicídio
As investigações, deflagradas a partir de uma tentativa de homicídio entre dois grupos rivais, foram iniciadas há cinco meses pela Corregedoria Geral Unificada (CGU) e pela Draco, com apoio do Ministério Público Estadual. A polícia tenta cumprir agora outros 12 mandados de prisão.
De acordo com o delegado, o primeiro grupo era liderado por dois irmãos, sargentos da PM, que foram presos na semana passada, durante a Operação Herdeiros. Eles estavam estabelecidos em trecho de Brás de Pina.
“Os irmãos tinham uma vertente para a prática do achaque, de extorsões”, disse o delegado.
O segundo grupo de milicianos era mais violento e era liderado por um sargento do Exército e também por um policial militar, que já se encontrava preso pela Divisão de Homicídios, informou o delegado.
Em relação à terceira quadrilha que agia na região, o delegado disse que o chefe, um sargento da PM, está entre os presos nesta quinta-feira.
A polícia não soube informar o valor arrecadado pelas quadrilhas, mas citou como exemplo que a assinatura do gatonet custa R$ 30 por mês e a região possui cerca de 20 mil moradores.
“Não há documento para afirmar o montante arrecadado por cada quadrilha, mas arrecadavam um valor bastante alto”, disse Marcelo Fernandes.
A ação é realizada por agentes da Corregedoria Geral Unificada (CGU), da Corregedoria da Polícia Civil (Coinpol), da Corregedoria Geral da Polícia Militar e da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco).
Corregedor nega crise entre polícias civil e militar
Questionado sobre a possível crise entra as polícias militar e civil, que teria estourado após a prisão do coronel Djalma Beltrami, comandante do 7º BPM (São Gonçalo), suspeito de chefiar um receber propina para não reprimir o tráfico, o corregedor geral da Polícia Militar, Valdir Soares Filho, minimizou que haja desunião entre as polícias.
“Esse fato do coronel Beltrami é um fato isolado, que acontece em uma outra esfera”, afirmou.
O problema teria começado após o desembargador Paulo Rangel, ao conceder o habeas corpus ao comandante, declarar que as polícias estavam “brincando de investigar”. Na sentença, ele criticou a atuação do delegado da Divisão de Homicídios de Niterói, Alan Luxardo, e do juiz de São Pedro da Aldeia, que autorizou a prisão.
“Não há crise, pode haver um mal entendido”, completou o corregedor geral da União, Giuseppe Vitaglian.
Fonte G1-RJ

Nenhum comentário: