domingo, 24 de junho de 2012

Família de 2º brasileiro espera recurso contra fuzilamento






Marco Archer Moreira (foto) e Rodrigo Gularte foram presos e condenados ao fuzilamento por tráfico de drogas na Indonésia (Foto: AFP)

A família do surfista paranaense Rodrigo Gularte, 40 anos, acompanha com ansiedade o desfecho do drama envolvendo ele o também brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 50 anos. Condenados à morte na Indonésia por tráfico internacional de drogas, ambos estão presos na mesma penitenciária em Jacarta. Porém, o caso de Moreira se agravou porque o governo do país asiático autorizou sua execução nesta semana. Segundo a advogada Lisiane Carvalho, prima de Gularte, os familiares do paranaense lamentam a situação de Moreira, mas ainda têm esperanças na reversão da sentença do surfista.


"É um país complicado, com normas muito rígidas, estamos pressionadíssimos. Mesmo assim, temos esperanças. O Rodrigo sempre foi um rapaz familiar, querido, educado. Até hoje não entendemos o que aconteceu, fomos todos surpreendidos com essa história. Ele era acostumado a viajar, conhecia os aeroportos, com certeza sabia o que estava fazendo", relatou ela.


Gularte foi preso em 2004 com 6 kg de cocaína dentro de pranchas de surf quando tentava ingressar em Jacarta e, em 2005, acabou condenado à morte. Conforme o também advogado César Carvalho, primo do surfista, a família está fazendo tudo que é possível. "O Rodrigo tem uma revisão ainda para ser julgada, portanto, o processo está em aberto. Talvez a solução tenha que passar por uma questão que envolva pedido de clemência, interferência do Estado. É difícil a situação", lamentou. A mãe do brasileiro está na Indonésia e acompanhar o caso de perto.


População apóia fuzilamento

O caso de Marco Archer Moreira é mais complicado. Ele foi preso em agosto de 2003, depois que autoridades locais encontraram 13,7 kg de cocaína escondidos na armação de um paraglider em sua bagagem. O brasileiro chegou ao país em um voo da companhia holandesa KLM e, quando autoridades pediram para ver seu passaporte, ele fugiu. O fato intrigou os funcionários da alfândega, que abriram as sete malas dele e acabaram descobrindo 19 pequenos pacotes contendo um pó branco escondidos no paraglider - o pó foi posteriormente identificado como cocaína.


O brasileiro, descrito por autoridades de segurança como um "courier" de um grupo internacional de tráfico de drogas, foi capturado após 16 dias foragido. O Itamaraty informou que a sociedade indonésia é favorável à pena de morte para traficantes e que os estrangeiros, ao entrar no país asiático, assinam um termo de ciência das leis locais.


Nesta semana, o governo da nação asiática autorizou a execução dele. Segundo declaração do procurador Andi Konggasa ao jornal The Jakarta Post, Moreira e outros dois estrangeiros deverão enfrentar o pelotão de fuzilamento nos próximos dias. "Nós preparamos para a execução, em coordenação com os ministérios relevantes, as embaixadas e as famílias", disse o procurador.


Andi ressaltou que os acusados tiveram direito total à defesa: "Eles assumiram todos os tipos de esforços legais para reduzir a sentença, a partir de admissão dos recursos e pedidos de revisão de caso com o Supremo Tribunal Federal para pedir um perdão presidencial, mas não adiantou".


Itamaraty reconhece dificuldade

Nesta sexta-feira, o Itamaraty afirmou que Marco Moreira está em uma situação "muito difícil". Sem entrar em detalhes, o Ministério das Relações Exteriores disse estar ciente do caso e que tem tomados todas as medidas possíveis para evitar a execução do brasileiro por fuzilamento.


De acordo com César Carvalho, o governo brasileiro, mesmo com limitações, nunca se negou a atender os pedidos das famílias: "A Indonésia é muito intransigente em relação ao tráfico de drogas, desde o primeiro momento tem sido difícil. Mesmo com suas limitações, o Itamaraty nunca se negou a acolher nossos pedidos, mas eles não têm como impôr nada nesse tipo de situação".


Pedido de clemência

Em 2005 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou interceder junto ao governo indonésio para evitar a execução dos brasileiros. Em seu pedido de clemência, o presidente argumentou que o Brasil considera o tráfico de drogas um crime grave, mas não prevê a pena de morte para nenhuma espécie de delito.


Apesar dessa e de outras tentativas do governo brasileiro, a pena contra Archer foi mantida. Caso fosse aceito o pedido de clemência, o brasileiro deveria cumprir prisão perpétua. Em 2010, Lula fez um pedido ao presidente da Indonésia pela anulação da pena de morte para Rodrigo Gularte.

Fonte: Terra

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