sexta-feira, 22 de junho de 2012
Ministério estabelece cronograma para padrão da rádio digital
BRASÍLIA – O Ministério das Comunicações vai convocar no próximo mês o conselho consultivo – que reúne representantes da indústria, radiodifusores e do próprio governo – para discutir o modelo de implantação e a tecnologia do rádio digital que serão adotados no Brasil. A informação é do secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica de Comunicação Eletrônica, Genildo Lins, que participou nesta quinta-feira do 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, em celebração aos 90 anos do rádio e os 50 anos da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert).
A intenção do ministério, segundo Lins, é em setembro apresentar os resultados dos testes com os padrões da tecnologia para a rádio digital. E, entre setembro e dezembro, definir o modelo.
Genildo Lins disse que o governo trabalha com alguns cenários, mas que a definição será dos radiodifusores, porque eles é que terão que arcar com os custos da digitalização. Ele alertou que qualquer sistema que seja adotado terá que manter a mesma cobertura que uma rádio analógica.
- O ouvinte somente tem um custo, o de trocar o seu receptor – esclareceu.
O secretário deixou claro também que a política da presidente Dilma Rousseff é garantir a transferência de tecnologia e a produção nacional de equipamentos na digitalização do rádio. Os equipamentos têm que ser produzidos no Brasil, explicou.
- No mundo, os receptores ainda estão muito caros e a adesão dos ouvintes ainda está muito baixa – afirmou.
A Abert está realizando estudos para saber qual será o custo de uma emissora de rádio para fazer a digitalização. Nos Estados Unidos, uma emissora FM investe na digitalização entre US$ 80 mil a US$ 10 mil.
O engenheiro e advogado da Loriserve Radiodifusão, Claudio Lorini, defende que o país desenvolva um padrão nacional de rádio digital, a exemplo do que fez com a TV digital. Ele entende que a tecnologia tem que ser praticamente sem custo para as pequenas rádios.
- É importante que as universidades e institutos de pesquisa participem desta discussão e do desenvolvimento do padrão, que se pegue o melhor das tecnologias existentes – disse ele.
Mas Daniel Slavieiro, conselheiro da Abert, considera desnecessário criar um padrão nacional de rádio digital. Para ele, o importante é que os detentores da tecnologia repassem para país estes conhecimentos.
O governo está trabalhando com alguns cenários, esclareceu o secretário, o governo vai tomar a decisão técnica e o radiodifusor adota ou não. A primeira delas delas é não fazer a digitalização neste momento. Para ele, a desvantagem é que o rádio ficaria em um patamar abaixo das outras mídias que já estão digitalizadas e a vantagem é que não é necessário trocar receptores ou outros equipamentos.
A digitalização, permitindo que o rádio AM vá para o FM, é a preferida dos radiodifusores, mas segundo Genildo Lins, essa opção tem alguns problemas legais, porque é compreendida como um novo serviço. O governo acredita que será necessário o Congresso aprovar um projeto de lei com as novas condições. Para a AM se tornar digital, ela precisa usar os canais 5 e 6 da TV, o que já tem a concordância técnica do Ministério das Comunicações. Isto reduzirá as interferências no som, e melhoraria a qualidade do sinal
- A migração (da rádio AM analógica para a digital) ficará para quando definir a questão legal – disse ele.
Genildo Lins disse que existem 5 mil rádios no país entre educativas e comerciais, se forem computadas também as comunitárias e outras, elas chegam a 10 mil.
O serviço de rádio digital, explicou Lins, é diferente da TV, onde existe somente um serviço. No total, na rádio são seis, entre eles AM, FM e ondas curtas, e as emissoras têm capacidade econômica diferentes.
- A digitalização do rádio vai melhorar a percepção do sinal para o ouvinte mas o custo para o radiodifusor é muito alto – disse o secretário.
O Globo
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário