segunda-feira, 11 de junho de 2012

UPAs não desafogam emergências






Desafogar os atendimentos nas emergências e ampliar a assistência especializada. É esse o objetivo das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 horas, inseridas na rede Saúde Toda Hora, do Governo Federal. No Ceará, quatro unidades foram inauguradas, sendo três em Fortaleza, nos bairros Autran Nunes, Messejana e Praia do Futuro. Entretanto, até o momento, elas ainda não atingiram o seu objetivo, e as emergências dos hospitais terciários da Capital continuam superlotadas.

Prova disso é a situação caótica do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que na última quarta-feira (6) estava com 106 pacientes sendo atendidos de forma precária nos corredores. Rommel Araújo, coordenador geral da emergência do HGF é enfático: as UPAs não irão resolver o problema das emergências. Para o gestor, a única maneira de desafogar seria criando uma estrutura de leitos de retaguarda que sejam resolutivos.

"As UPAs não têm internação, elas mantêm o paciente em observação apenas por 24 horas. As emergências precisam de leitos de retaguarda de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do nível secundário e terciário para paciente clínico e cirúrgico e para os pacientes com necessidades especiais, que não têm mais indicação de UTI, mas que precisam de cuidados especiais", explica.

Na semana passada, o Governo Federal anunciou a liberação de mais R$ 57,3 milhões para a área. O recurso contempla 335 projetos no Estado. Dessa forma, 14 novas UPAs deverão ser construídas, e outras duas ampliadas. Serão R$ 25,4 milhões para as UPAs e R$ 31,9 para Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Urgência

O secretário de Saúde do Estado, Arruda Bastos, destaca que é uma nova rede de urgência e emergência que está sendo criada. "O trabalho é para desafogar as emergências, tirar as macas dos corredores e acabar com as longas filas de espera nos hospitais. Com isso queremos universalizar as UPAs e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)", justificou.

O gestor diz que, ainda neste mês, uma UPA será inaugurada no bairro Canindezinho, dia 23 no Eusébio e no dia 5 de julho em Caucaia. O gestor adianta que as unidades do Pecém, Pentecoste, Horizonte, Aracoiaba, Canindé, Crateús e São Benedito estão praticamente prontas e deverão ser inauguradas até o fim de agosto. Juazeiro do Norte e Iguatu terão as unidades inauguradas até o fim do ano.

"Nenhum município com mais de 50 mil habitantes vai deixar de ter uma UPA", garante Arruda Bastos. A expectativa do secretário é de que, até o fim de 2013, todas as 48 UPAs estejam funcionando.

Responsáveis por prestar atendimento de média complexidade, como vítimas de acidentes e problemas cardíacos, as unidades contribuem para desafogar as urgências dos hospitais do SUS e reduzir o tempo de espera por atendimento. O Ministério da Saúde informa que, nas localidades em que estão em pleno atendimento, as UPAs dão conta de atender, sem necessidade de encaminhamento ao pronto-socorro hospitalar, 97% dos pacientes que as procuram.

Desde que foi inaugurada, no dia 22 de março, a UPA da Praia do Futuro melhorou a vida da comunidade. É o que afirmam os próprios moradores. A aposentada Neusa Alves dos Santos, 68, que pela terceira vez estava no local, disse que é sempre muito bem atendida. "Esse hospital é uma bênção", resume. Antes, para tratar de algum problema de saúde, ela tinha de ir no Centro Integrado de Educação e Saúde (Cies) Aida Santos, na Praia do Futuro, onde quase sempre voltava sem ser atendida por causa da constante falta de médicos.

Bairros

A doméstica Marlúcia Vieira Nogueira, 46, afirma que se todos os bairros tivessem uma UPA a população não precisaria passar pela situação humilhante que passa no HGF. Recentemente, ela acompanhou uma sobrinha que passou três dias internada e disse que ela ficou numa maca no chão. "É de fazer dó, todo mundo no chão, sendo mal atendido, nunca tinha visto uma cena daquela", disse.

A aposentada Margarida Araújo Sousa, 64, também já esteve na UPA da Praia do Futuro e aprovou a unidade. Ela diz que foi bem tratada e garante: "Já cheguei aqui passando mal e fui super bem atendida. Não tenho nada para falar daqui".

Lotação

106 pacientes estavam sendo atendidos de maneira precária nos corredores do Hospital Geral de Fortaleza, em apenas um dos dias da semana passada.



Fonte: Diário do Nordeste

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