sábado, 28 de julho de 2012

SAÚDE. Entre janeiro e julho, Ceará faz 690 transplantes


 

 

690 transplantes foram realizados no Ceará até 25 de julho. O ano de 2012 chega à metade trazendo a possibilidade de bater mais um recorde no número de procedimentos
Paciente toma soro após ter sido submetido a cirurgia. Até 25 de julho deste ano, o Ceará realizou 690 transplantes. O número é 4,8% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado / GEÓRGIA SANTIAGO, EM 19/11/2008
O final de julho traz números positivos para o Ceará: foram feitos mais transplantes no Estado do que o número de pessoas na lista de espera ativa. Até o último dia 25, foram 690 transplantes. A fila de espera hoje tem 664 pessoas. No mesmo período do ano passado, foram realizados 658 transplantes. O crescimento é de 4,8%.
Na manhã de ontem, enquanto o cirurgião da equipe de transplante de fígado do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), João Batista, dava informações sobre o trabalho da unidade, uma ligação o fez interromper a entrevista: a Central de Transplantes anunciava um novo doador. Alguns minutos são suficientes para começar a organização dos procedimentos que culminarão, dando tudo certo, com o fim da agonia de pessoas na fila por órgãos.
Tudo fruto de uma decisão da família de um rapaz de 18 anos, com morte cerebral no Instituto Doutor José Frota, que autorizara a captação dos órgãos. O fígado iria para outro rapaz, com 21 anos e uma doença hepática grave. Mais um número e uma vida para o Estado. Renovação para uma família.
O cirurgião João Batista lembra que a unidade é uma referência nacional, sendo o hospital público que mais realiza transplantes de fígado no País. Segundo ele, 2011 registrou um índice de mortalidade no primeiro mês de 9%, quando a média é de 13%.
Qualidade de vida
No Ceará, até o dia 25 de julho, foram 153 transplantes de rim (doadores vivos e mortos), seis de rim/pâncreas, 18 de coração, 96 de fígado, três de pulmão, 12 de medula óssea, 391 de córneas, dois de pâncreas (isolado e pós-rim) e nove de esclera.
Para o chefe do setor de transplante cardíaco do Hospital de Messejana, João Davi Souza, o aumento desses números se deve às melhorias na captação e a um trabalho multiprofissional. A eficiência do serviço e a experiência das equipes contribuem para um elemento muito mais importante do que os números: a sobrevida maior e com mais qualidade para as pessoas transplantadas.
Para João Davi, um desafio é o acompanhamento pós-transplante, com as doenças que podem surgir e o risco de rejeição, por isso, há necessidade constante de ampliação de estrutura e do quadro de profissionais. E o fato de o Ceará ser referência para transplantes traz muitas pessoas de outros Estados.
Em terra estranha e vivendo uma situação complicada de saúde, encontrar a delicadeza alheia pode ser um alento. E é isso que Genelson Rangel, 58, busca oferecer. Ele foi transplantado em novembro de ano passado. Com o novo fígado, ganhou mais tempo e qualidade no viver. E, para compartilhar isso, tornou-se voluntário no ambulatório do HUWC.
“Ontem, me ligaram meia-noite. Um rapaz estava passando mal e fui levá-lo ao hospital”, comentou. O celular é ligado 24 horas para emergências dos colegas que estão aguardando um novo órgão ou se recuperando do transplante. A atenção que ele oferece também foi encontrada nas mãos e cuidados de médicos e enfermeiros. Elogios às delicadezas que fazem a diferença, como a escolha por ser doador e a comunicação dessa opção à família.
Como


ENTENDA A NOTÍCIA
Maior conscientização da população, equipes médicas dedicadas e eficientes, aparato necessário. Esses elementos também são responsáveis pelos números positivos crescentes do Ceará quando o assunto é transplantes. Até o dia 25 de julho, foram realizados 690 transplantes no Estado.
Serviço
Central de Transplantes
Telefone: 3101 5238
Ao optar por ser doador de órgãos, converse com a sua família e esclareça a sua escolha
Saiba mais
Números de transplantes no Ceará
2000 – 272; 2001 – 202;
2002 – 296; 2003 – 420
2004 – 559; 2005 – 519
2006 – 446; 2007 – 654
2008 – 739; 2009 – 767
2010 – 875;
2011 – 1297
2012 – 690 (até o dia 25 de julho)
Número de doadores efetivos por milhão/população:
2006 – 8,4
2007 – 8,6
2008 – 10,3
2009 – 11,2
2010 – 14,8
2011 – 16,6 (1º semestre)
2012 – 20,8 (1º semestre)
Lista de espera efetiva
Córnea – 285;
Rim – 238;
Coração – 4;
Fígado – 121;
Pâncreas/Rim – 6
Pulmão – 3
Medula óssea – 7.
Total: 664 pessoas.
Para o secretário da Saúde do Estado, Arruda Bastos, o ano de 2012 pode ultrapassar o recorde de 2011, quando foram realizados 1.297 transplantes.
O Povo Online

Nenhum comentário: