
Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ex-braço direito do ex-goleiro Bruno
(Foto: Washington Alves/UOL)
O réu Luiz Henrique Romão, o Macarrão, 27, amigo de infância e
ex-braço-direito do goleiro Bruno Souza, foi condenado nesta sexta-feira
(23), pelo Tribunal do Júri de Contagem (região metropolitana de Belo
Horizonte), a 15 anos pelo sequestro, cárcere privado e morte da modelo
Eliza Samudio, ex-amante do atleta, além do sequestro e cárcere de seu
filho Bruninho. Ele foi inocentado da acusação de ocultação do cadáver.
Já a ré Fernanda Gomes de Castro, 35, ex-amante do goleiro, recebeu uma
condenação de cinco anos pelos crimes de sequestro e cárcere privado de
Eliza e seu filho, hoje com dois anos e meio de idade. Como a condenação
foi menor do que seis anos, Fernanda cumprirá pena em regime
semiaberto.
Segundo a Promotoria, Macarrão coordenou toda a trama que começou com o
sequestro de Eliza, em 4 de junho de 2010, no Rio de Janeiro, e terminou
com sua morte, na casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, seu
executor, em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte), em 10
de junho do mesmo ano.
Coube a Macarrão a tarefa de atrair Eliza para Belo Horizonte,
prometendo a ela que Bruno iria fazer um teste de DNA para reconhecer o
filho, além de entregar a modelo o dinheiro referente a pensão de
Bruninho, conforme sustentou a acusação. Para realizar a tarefa,
Macarrão contou inicialmente com a ajuda de Jorge Rosa, primo de Bruno,
menor a época dos fatos, que agrediu a vítima com coronhadas na cabeça
dentro da Land Rover do goleiro.
Em seguida, ambos levaram Eliza para a casa de Bruno no Recreio dos
Bandeirantes, zona oeste do Rio, seu primeiro cárcere privado. Lá,
tiveram ajuda de Fernanda, que ficou com o filho de Eliza enquanto a
modelo era mantida no cárcere até a noite do dia seguinte, sábado, 5 de
junho, quando foi levada para Minas Gerais.
Ainda de acordo com o Ministério Público, Eliza e o bebê foram para
Minas na Land Rover, dirigida por Macarrão, junto com Jorge, enquanto
Bruno foi com Fernanda em uma BMW. Ao chegarem na Grande Belo Horizonte,
eles se hospedaram em um motel no município de Contagem. Macarrão,
Jorge e Eliza chegaram antes. Bruno e Fernanda foram buscar outro primo
do goleiro, Sérgio Rosa Salles, e se dirigiram para o motel.
No dia seguinte, domingo, 6 de junho, todos foram a um jogo de futebol
do time 100%, patrocinado por Bruno, em Ribeirão das Neves. Eliza não.
Ela foi levada por Macarrão ao sítio do goleiro em Esmeraldas (região
metropolitana de Belo Horizonte), onde foi mantida em cárcere privado
até quinta-feira, 10 de junho.
Nesta data, Macarrão, Jorge e Sérgio a levaram até um local situado
perto da Toca da Raposa, centro de treinamento do Cruzeiro na região da
Pampulha, em Belo Horizonte. No local, aguardava eles, em uma moto,
Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que os guiou até a casa dele em
Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte), onde Eliza foi
morta por estrangulamento. Seus restos mortais, segundo a Promotoria,
foram destruídos.
Bola teria se recusado a matar a criança, o que obrigou Macarrão a
procurar Dayanne de Souza, ex-mulher de Bruno, para arrumar um destino
ao bebê. Ela ficou com a criança por alguns dias no sítio em Esmeraldas,
até entregá-la a vizinhos de Bruno no bairro Liberdade, em Ribeirão das
Neves --Bruninho foi encontrado pelo dias depois, em uma casa do
bairro.
Macarrão está recluso desde julho de 2010 na penitenciária de segurança
máxima Nelson Hungria, em Contagem. Fernanda chegou a ser presa em
agosto de 2010, mas ganhou a liberdade em dezembro do mesmo ano e, desde
então, responde em liberdade.
O júri de Bruno, Bola e Dayanne foi desmembrado e adiado para 4 de março
de 2013. Outros réus do caso, Wemerson Marques de Souza, amigo de
Bruno, e Elenílson Vítor da Silva, o Coxinha, ex-caseiro do sítio do
goleiro, também irão a júri, sem data definida.
Na sua sentença, Marixa Fabiane escreveu que "após a análise de todo o
contexto probatório na fase de inquérito policial e em juízo, com base
pericial, documental e testemunhal, por ocasião da instrução do
processo, externei meu convencimento de que materialidade do crime
estava comprovada pela prova indireta que Eliza Samudio, de fato, foi
morta".
Marixa continua: "No entanto, alguns dos advogados, no exercício
legítimo da defesa, semearam de forma exitosa a dúvida na mente de
milhares de pessoas, ao longo de dois anos e cinco meses, que
questionavam-se se de fato Eliza Samudio estava realmente morta. Tenho
que a admissão do réu Luiz Henrique, que realmente levou Eliza Samudio
para o encontro com a morte, foi de extrema relevância para tirar do
Conselho de Sentença qualquer dúvida sobre a materialidade do crime de
homicídio".
Sobre a confissão de Macarrão, a juíza escreveu que "prestigio sua
confissão em plenário para a redução da pena [do crime de homicídio]
para o mínimo legal (12 anos)".
Outro lado
Carla Silene, advogada de Fernanda Castro, afirmou, após o julgamento
que vai recorrer da decisão --mesmo ela colocando sua cliente em regime
aberto. "Não quero que a Fernanda tenha antecedentes criminais",
afirmou.
Leonardo Diniz, advogado de Macarrão, afirmou que ainda vai analisar o
processo para ver se recorre da sentença. Ele disse não saber quando o
ex-braço direito de Bruno poderá deixar a prisão. "Vamos analisar para
fazer o cálculo", afirmou.
Sobre a confissão de seu cliente da morte de Eliza, ele disse se tratar
de "um direito dele". "O julgamento mudou de dinâmica", afirmou. Diniz
disse que não havia falado com Macarrão, após a sentença. "Ele
[Macarrão] está muito emocionado", afirmou.
Segundo o promotor Henry Castro, Macarrão poderá pedir a progressão de
sua pena daqui a dois anos e meio.
Fonte: UOL
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