
Fernando Ribeiro
Os armamentos mais apreendidos no Ceará são revólveres e pistolas,
segundo a PM. (Foto: José Leomar)
Um número que não para de crescer. São as apreensões de armas de fogo no
Ceará, fruto de um intenso e ininterrupto trabalho determinado pela
Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e executado,
principalmente, pela Polícia Militar. Em pouco mais de dez meses deste
ano, o número de armas confiscadas pelas autoridades policiais já
superou o quantitativo registrado em todo 2011.
No ano passado, de janeiro a outubro foram 4.181 armas tiradas de
circulação das ruas da Capital, região metropolitana e também no
Interior. Neste ano, em igual período (janeiro a outubro) este
quantitativo chegou a 4.941 conforme dados do comando-geral da PM , o
que representa um aumento da ordem de 18 por cento. Contudo, somente nos
11 primeiros dias de novembro foram apreendidas mais 182 armas,
totalizando 5.123. Em todo 2011 foram 4.995.
Intensificação
Em 2012, somente em Fortaleza, a Polícia Militar apreendeu 2.308
revólveres, pistolas, carabinas, fuzis e outros tipos de armamentos. Na
região metropolitana foram 869 e no Interior do Estado, 1.946.
Em Fortaleza, a intensificação do trabalho de policiamento ostensivo,
com as chamadas operações de ´saturação´, os índices de apreensões de
armas se concentraram nos bairros onde a PM tem feito o trabalho de
ocupação. Exemplo disso ocorreu na Barra do Ceará, na zona Oeste da
cidade, onde ali também estão concentrados os maiores índices de
homicídios dolosos neste ano. Uma centena de armas de fogo foi
localizada nas mãos de bandidos, a maioria ligada aos traficantes que
tentam dominar a área.
Da Paz
Já no bairro Bom Jardim, integrante do chamado ´Território da Paz´
(juntamente com os bairros Granja Lisboa, Granja Portugal, Canindezinho e
Siqueira), de janeiro a outubro deste ano, foram apreendidas 76 armas.
No Jangurussu e Conjunto Palmeiras, foram 98.
Na região metropolitana de Fortaleza, os dois maiores e mais populosos
municípios duelam na contagem de armas ilegais que acabaram indo parar
nas mãos da Polícia. Em Caucaia, foram 253, enquanto em Maracanaú, 239.
Quadrilhas
Na Barra do Ceará, a Polícia já desarticulou várias quadrilhas que
seriam as responsáveis pelos constantes crimes de morte. No entanto, os
traficantes de drogas que comandam a venda de entorpecentes no local,
continuam com poder de mando, mesmo alguns já estando presos e outros
foragidos. A dificuldade da Polícia em desarticular os bandos tem como
principal ponto o silêncio da população, que, temerosa, prefere não
denunciar.
Barra do Ceará na mira da PM
Situada na zona Oeste de Fortaleza, a Barra do Ceará é um dos bairros
que, atualmente, mais preocupam as autoridades da Segurança Pública do
Estado, e onde o número de apreensões de armas é o mais alto na cidade.
Ali, o intenso tráfico de drogas tem sido o responsável pelos constantes
casos de tiroteios e mortes naquela comunidade carente da Capital
cearense.
Conforme levantamentos feitos pela Reportagem, do dia 1º de janeiro até
ontem (2), nada menos que, 73 pessoas foram mortas na Barra do Ceará.
Destas, 66 foram executadas através do uso de armas de fogo.
Os tiroteios entre as quadrilhas tiveram início ainda em janeiro
passado, quando duas gangues, conhecidas como ´Diabos do Polo´ e ´Ratos
da Barra´ iniciaram uma ´guerra´ nas vielas do Morro de São Tiago e no
calçadão da Avenida Vila do Mar, resultando em vários crimes.
Paralelamente a isto, outro grupo criminoso, comandado pelo traficante
conhecido como ´Márcio do Gueto´, passou a executar diversas pessoas por
conta de cobrança de dívidas de drogas, por queima de arquivo e também
por vingança.
Execuções
Em meio aos diversos crimes, um deles acabou provocando uma grande
mobilização policial e deixou os moradores do bairro assustados. O fato
ocorreu na tarde de 14 de abril, quando três jovens foram executados na
Rua Santo Antônio.
Os mortos eram Valdir Felipe Freitas de Oliveira, Felipe Almeida dos
santos e Ronaldo Vieira da Silva. O triplo assassinato ainda culminou
em, pelo menos, outras quatro pessoas feridas.
Diante dos constantes episódios de violência no bairro, a SSPDS
determinou um trabalho de ocupação policial.
A Favela do Gueto (uma área privada invadida, onde antes funcionou uma
fábrica de roupas) passou a ser vigiada 24 horas por dia, com a Polícia
mantendo viaturas nas entradas da comunidade. Com esta presença
constante da Polícia, ´Márcio do Gueto´ teria fugido dali.
Quadrilha
Outra importante ´baixa´ para os criminosos daquele bairro aconteceu com
a prisão do traficante e homicida José Flávio Rodrigues Pereira,
conhecido como ´Gago´, responsável por assassinatos nas Goiabeiras e no
Morro de São Tiago. Um comparsa dele está ainda foragido.
Estatísticas apontam as áreas mais violentas
A implantação de uma célula específica para tratar das estatísticas da
criminalidade levou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social
(SSPDS) a redirecionar suas atividades no campo da prevenção e repressão
aos delitos, principalmente os relacionados ao tráfico de drogas e
homicídios. Com os números nas mãos, os comandantes de áreas sabem onde
há uma maior necessidade da presença da PM.
Em recente entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, o professor
universitário Raimundo Carvalho explicou como este trabalho estatístico
vem sendo feito para mapear as zonas de maior convergência de índices
criminais em todo o Estado.
Responsável pela implantação da Central de Estatística (Cenest) da
SSPDS, Carvalho informa que, nas zonas da Capital onde a Polícia Militar
passou a trabalhar com base nos levantamentos estatísticos, os
resultados quanto à diminuição dos crimes têm obtido maior êxito. O
levantamento diário das ocorrências permite isto.
Segundo Carvalho, quando os índices criminais passam a se concentrar
numa determinada área da Capital, bairro, favela ou mesmo numa única
rua, por exemplo, forma-se o que ele denomina de ´zona quente´. E ali o
trabalho da Polícia começa a se concentrar. "A Polícia é colocada onde o
crime está acontecendo", explica o professor.
Exemplo
Foi o que aconteceu no chamado ´Território da Paz´, formado pelo Grande
Bom jardim, onde o trabalho estatístico norteou as ações da PM durante o
ano passado e isto possibilitou a dispersão dos criminosos e a redução
do número de mortes violentas. A diminuição ficou comprovada no balanço
final relativo à criminalidade em 2011.
Segundo informou a SSPDS, em 2011 o número de homicídios no ´Território
da paz´ teve uma queda de 16,7 por cento. E somente no Bom Jardim essa
redução chegou a 58 por cento.
Preocupam
A estatística criminal revelou, ainda, que dos 119 bairros existentes em
Fortaleza, a maior taxa de crimes se concentrou em apenas dez deles. E
foi neles que a PM passou a agir com maior intensidade. Mesmo assim, as
preocupações da Polícia com estas áreas continua.
Além da Barra do Ceará, estão sempre na mira da PM os bairros de
Messejana, Pirambu, Planalto Ayrton Senna, Genibaú, Vila Velha,
Jangurussu, Mucuripe, Praia do Futuro, Jardim Iracema, além dos
distritos de Jurema (em Caucaia) e Pajuçara (em Maracanaú). Equipes como
do BPRaio reforçam o policiamento em tais áreas.
Fonte: Diário do Nordeste
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