
Yaçanã Neponucena
Os estudiosos pretendem auxiliar no melhoramento do manejo e na
conservação da espécie, que pode ser ameaçada pelos constantes
desmatamentos, incêndios e até pelo uso indiscriminado de agrotóxicos
(Foto: Yaçanã Neponucena)
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(Ufersa) esteve na região do Cariri para analisar as abelhas da espécie
Sacpototrigona-SP., mais conhecida como Canudo.
O inseto, que é nativo da encosta da Serra do Araripe, produz pólen, mel
e ajuda na fecundação dos cultivos regionais e na preservação das
plantas existentes no território onde elas vivem. O intuito dos
estudiosos foi colher amostras e conhecer a produção dos criadores. Eles
já desenvolvem outras pesquisas sobre o comportamento, fisiologia,
ecologia e genética de abelhas de vários tipos.
Temperamento
No momento, estão tentando descobrir mais detalhes sobre o tipo da
classe local. Cada um tem bolsa de incentivo de fundações de apoio à
pesquisa e instituições acadêmicas renomadas como o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A Canudo chama a atenção devido ao seu temperamento. Segundo os
criadores, elas são extremamente dóceis. Os estudiosos pretendem
auxiliar no melhoramento do manejo e na conservação da espécie que pode
ser ameaçada pelos constantes desmatamentos, incêndios e até pelo uso
indiscriminado de agrotóxicos. De acordo com os pesquisadores, essas
ações estão contribuindo para a matança das abelhas e gerando a
despolinização das plantas.
Eles afirmam que é importante mantê-las na região nativa. No Crato,
apenas no bairro Grangeiro, área que se assemelha à zona rural, já há
três criadores deste inseto. Porém, na cidade, existem vários outros que
ainda estão sendo catalogados. Estima-se que o número já passa de 15.
Produção
No Brasil, existem mais de 300 espécies de abelhas nativas. Se for
comparada com as Italianas, que são exóticas, a Canudo produz pouco mel,
apesar de seu potencial de produção ser considerado alto.
O alimento ainda não é exportado como o fabricado pelas demais abelhas.
Elas se alimentam da própria produção e comem o pólen e néctar das
flores, que são suas principais fontes de energia. Em toda a encosta do
Araripe, os pesquisadores observaram que a diversidade da flora
contribui para a conservação da espécie. Eles afirmam que, nas colmeias,
cada pólen tem uma cor peculiar que depende do tipo de planta que a
abelha visitou. O produto também pode ter sabor e cor variados.
O período de maior produção das abelhas Canudo acontece durante a quadra
invernosa. Entretanto, mesmo em anos de seca, como está acontecendo em
2012, elas continuam fabricando o mel. Elas têm aparência de cor preta,
não possuem ferrão e, em termos científicos, são classificadas como
sociais, já que, no ano inteiro, convivem em grupos permanentes, onde
uma líder mantém a comunicação com as demais, que durante o trabalho
auxiliam a rainha na manutenção da colônia.
Produção
A produção anual dessa espécie, por caixa racional, chega a três litros
de mel. No mercado, o preço do produto poder ser de até R$ 100, por cada
mil mililitros. As grandes vendas ainda não são frequentes. O apicultor
Manoel Ivan Pedroza pretende, em parceria com outros criadores, iniciar
comercialização em larga escala e formar uma associação. No ano
passado, sozinho, ele engarrafou 200 potes de mel, cada um contendo 100
mililitros.
O produto foi doado e vendido. Para ampliar a criação, Pedroza conta que
está investindo na multiplicação das caixas racionais. Atualmente, ele
mantém 50 colônias e já planeja obter lucros com a iniciativa.
No Ceará, a apicultura tem como característica marcante a produção de
mel de abelhas exóticas. Estima-se que o cultivo está presente em 150
municípios. A produção tem referência na exportação, colocando o Estado
entre os cinco maiores exportadores do Brasil. O Cariri é uma das
regiões com maior número de produtores.
O biólogo holandês Dirk Koedan é um dos membros do grupo de
pesquisadores que está analisando as colônias das Canudos no Cariri. Ele
é pós-doutor e especialista em etologia, com ênfase em insetos sociais.
Koedan estuda abelhas sem ferrão há mais de 20 anos e afirma que a
geografia, o clima e a vegetação úmida da Chapada do Araripe ajudam a
formar ilhas de abelhas, onde elas se adaptaram e estão se mantendo por
muitos anos.
"Planejamos essa viagem exatamente para analisar melhor esse tipo de
abelha, observar como elas são diferentes das existentes em outras
regiões e como se adaptam a diversos ambientes. Já vimos que a Chapada
do Araripe é muito diferente da Caatinga", revela.
Entre os benefícios dos estudos sobre as abelhas está a previsão do que
poderá acontecer com a espécie nos próximos 50 anos. As hipóteses
iniciais indicam que, com o aquecimento global, elas poderão ser
amplamente afetadas. Contudo, produtores e pesquisadores estão
esperançosos. A meta é dar previsões que possam contribuir para a
elaboração de alternativas que evitem o problema.
Mais informações:
Criação de abelhas Canudo
Rua George Lucetti, 301
Bairro Grangeiro
Crato - Cariri
Telefone: (88) 3521.6894
Fonte: Diário do Nordeste
Nenhum comentário:
Postar um comentário