

Demontier Tenório/http://www.miseria.com.br
Natália trata de esconder o rosto quando nota a presença da reportagem
fotográfica (Foto: Chinês/Agência Miséria)
Durou cerca de seis horas a sessão ordinária do Tribunal do Juri do
Crato que levou ao banco dos réus, nesta quarta-feira, a jovem Natália
Cardoso dos Santos Bezerra, de 25 anos. Ela foi pronunciada pela justiça
e julgada por envolvimento no assassinato do marido Marcos Vinicius
Soares Bezerra, de 32 anos, bacharel em Direito e funcionário da agência
do Banco do Brasil de Potengi no dia 19 de março de 2008. A tese do
Promotor de Justiça, José de Deus, foi aceita em sua totalidade pelo
conselho de sentença e a ré condenada a 20 anos de reclusão inicialmente
em regime fechado.
A sentença foi lida por volta das 14 horas pelo Juiz titular da 1ª Vara
da Comarca de Crato, Renato Belo Vianna Velloso, mas o advogado de
defesa de Natália, José João Araújo Neto, recorreu contra a decisão e
ela vai aguardar novo julgamento. Todavia na cadeia pública daquele
município, onde se encontrava, pelo fato do Tribunal de Justiça do Ceará
e o Superior Tribunal de Justiça terem negado hábeas corpus em favor da
acusada.
Na sessão de ontem, o auditório do Fórum Hermes Parayba ficou lotado com
acadêmicos de direito, amigos e parentes de Marcos Vinicius que vieram
de Ouricuri (PE). O julgamento de Natália ocorreu um mês e cinco dias
após outra sessão do Tribunal do Júri de Crato que, coincidentemente,
julgou uma mulher pela morte do marido. Maria Gonçalves Dantas, de 54
anos, a “Lucy”, foi condenada a 22 anos de prisão por ter matado e
esquartejado José Samid Lucas de Sousa em abril de 1990, cuja defesa
também recorreu e ela encontra-se em liberdade.
Auditório do Fórum de Crato ficou lotado e muitos parentes da vítima
vieram de Ouricuri (PE) (Foto: Chinês/Agência Miséria)
O assassinato de Marcos Vinicius chocou a população do Cariri.
Desconfiado da infidelidade e um suposto envolvimento com drogas, ele já
tinha deixado-a. Usando habilmente o filho de três anos do casal,
Natália o atraiu até o shopping de Juazeiro para onde foi de ônibus com a
criança e lá o encontrou. No retorno, por se aproximar das 22 horas,
ela pediu uma carona ao mesmo até sua casa na Rua Pedro Jaguaribe
(Bairro Zacarias Gonçalves), onde moraram juntos.
Nas imediações da Cajuína São Geraldo ela solicitou que Marcos parasse a
moto a fim de atender a uma ligação telefônica e se afastou do mesmo.
Naquele momento, a jovem teria avisado ao pistoleiro contratado para
matar que estavam chegando. Na porta da residência, ela pediu ao ex que
aguardasse para entregar-lhe algumas roupas que tinham ficado no imóvel.
Quando Natália entrou com a criança, Fernando Pereira Cavalcante, de 26
anos, saiu de dentro do mato e se aproximou de Marcos.
Ele atirou várias vezes e fugiu em uma moto pilotada pelo mototaxista
Arnaldo Saraiva Lima, de 32 anos, que, também, foi condenado e cumpre
pena na Penitenciária Industrial e Regional do Cariri (PIRC).
Provavelmente, a mulher teria protelado na busca de socorro enquanto o
bancário agonizava no solo. Ao negar os hábeas corpus solicitados, a
justiça considerou o caráter criminoso da mesma ao oferecer R$ 6 mil e
um computador para que os pistoleiros matassem o seu ex-companheiro.
A trata teria sido feita juntamente com o seu amante, Françoaldo Pereira
da Silva, de 21 anos, de quem estaria grávida. A intenção dos dois
seria ficar com o dinheiro do seguro de vida de Marcos Vinicius no valor
de R$ 140 mil. Com a descoberta pela polícia, todos os envolvidos foram
presos, incluindo um Guarda Municipal de Crato que teria alugado o
revólver usado no crime. Meses depois, Natália perdeu até mesmo a guarda
do filho criado, atualmente pelos avós paternos em Ouricuri.
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