
Elizângela Santos
A safra do pequi conta com a presença de catadores na Serra do Araripe, a
partir do começo do ano e se estende até meados de maio. O extrativismo
do produto nativo reúne centenas de famílias na região do Cariri.
(Foto: Elizângela Santos)
A cadeia produtiva do pequi e do coco babaçu, na região sul do Estado,
deverá passar por um processo de organização e fortalecimento. A
promoção do arranjo produtivo desses produtos, contando com os povos e
comunidades, está sendo debatida com órgãos ambientais e a própria
população. São mais de 1000 famílias que sobrevivem atualmente com a
extração desses produtos.
A meta é poder oferecer melhores condições de processamento e
aproveitamento. Municípios como Barbalha, Jardim, Santana do Cariri,
Missão Velha, Crato, dentre outras cidades onde há a produção, estarão
envolvidos. O projeto de um ano, desenvolvido por meio da Fundação
Araripe, em parceria com órgãos federais e Programa das Nações Unidades
para o Desenvolvimento (Pnud), tem a finalidade de diagnosticar a cadeia
e compreender os entraves que existem e quem está atuando nesse
processo, o quanto se produz e deixa de aproveitar.
Para o coordenador do projeto "Produção do Arranjo Produtivo do Babaçu e
Pequi", Cristiano Cardoso, a ideia é fazer todos os levantamentos
possíveis, identificar onde estão os extrativistas e ver o que produzem.
A pretensão, a partir desses procedimentos, é montar um núcleo de
animação envolvendo instituições para, ao fim da realização do projeto, o
plano de ação ter continuidade.
Planejamento
Também será realizado um planejamento estratégico com um plano de ação
para a cadeia, além de capacitações dos produtores. Segundo o
coordenador, a meta é melhorar a gestão do empreendimento, como forma de
possibilitar o acesso às políticas públicas e capacitar desse modo para
o processo de boas práticas de produção.
Ele afirma que o número mais exato em relação ao número de produtores,
se refere ao levantamento que foi realizado por meio da Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Barbalha, de extrativistas de babaçu, que são cerca de 200, com
informações completas. Mas, do ponto de vista regional, há pelo menos
1000 pessoas que sobrevivem da extração do coco e do pequi.
A noção de quantidade de produtores, conforme o coordenador do projeto, é
bem maior do que existe, quando se trata de termos regionais.
Cristiano Cardoso também destaca produtos como o leite de janaguba, fava
danta, dentre outros. Nesse universo, o número de extrativistas se
amplia bem mais. "O certo é que nossas estatísticas oficiais não
conseguem dar a real dimensão da importância, tanto social, quanto
econômica, do extrativismo para a região", constata.
O projeto que começa a ser desenvolvido na região, segundo o
coordenador, faz parte de um acordo de subvenção do Pnud, incluindo
também os ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social, com
execução da Fundação Araripe. O trabalho será desenvolvido com parcerias
como a Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará
(Ematerce). Cristiano destaca a importância dessa atividade mais próxima
da comunidade e as pessoas se reconheceram como extrativistas. "Os
produtores ainda não se identificam nessa região como tal, como acontece
com os catadores de castanha-do-pará e a com a borracha", diz ele.
Para o coordenador, esse é um dos primeiros passos, que considera de
grande relevância. "Ele deve ter na sua declaração de aptidão, junto ao
Pronaf, a identificação não apenas de pequeno produtor, mas de
extrativista", ressalta.
Na sua opinião, essa é uma forma de resgate da identidade e uma
compreensão como produtor nessa categoria de trabalho. Segundo
Cristiano, o extrativismo vegetal se torna importante por manter a
floresta em pé. As vantagens das boas práticas de produção vão desde a
conservação das sementes à própria conservação das espécies, de uma
forma racionalmente adequada.
Apresentação
Na última segunda-feira, foi realizada a apresentação do projeto, na
sede da Fundação Araripe, no Crato, junto a algumas instituições da
região, a exemplo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), secretarias de meio ambiente, Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), organizações não
governamentais, Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe (APA -
Araripe), Sindicatos de Trabalhadores Rurais, representantes de
associações e da própria comunidade. Também foram determinadas as
instituições e grupos que serão convidados para a primeira oficina de
planejamento da cadeia. A ideia é que isso ocorra ainda este mês.
Cristiano Cardoso destaca a importância econômica para a região desses
produtos, principalmente no período de safra, promovendo o aquecimento
da economia local, estendendo-se a toda a rede produtiva. "Em torno de
15% a 20% no campo da agricultura podem ser estimulados por esses
produtos", estima o coordenador do projeto.
Organização
1000 famílias, em média, sobrevivem do extrativismo do babaçu e do pequi
na região do Cariri. Este número deverá de ampliar
Mais informações:
Fundação para o Desenvolvimento Sustentável do Araripe
Rua Leandro Bezerra, 338
Centro - Crato - CE
Telefone: (88) 3523.1605
Fonte: Diário do Nordeste
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