
A nave principal do Memorial da Liberdade Presidente João Goulart que
terá 1.760 metros quadrados (Foto: Reprodução)
Preocupado com o desfecho de um importante projeto de sua autoria, o
Memorial João Goulart, o arquiteto Oscar Niemeyer segredou ao secretário
de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira: gostaria de ver enfim
cumprida o que ele chamou de “tarefa importante da minha vida”. Na
manhã do dia 5 de dezembro, a cessão do terreno para a construção da
obra foi enfim autorizada. Às 21h55, Niemeyer morreu.
A conversa de Hamilton com Niemeyer aconteceu em fevereiro de 2011, no
escritório do arquiteto, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali,
foram feitos os últimos acertos para a execução do memorial, última
obra do gênio da arquitetura aprovada para o eixo monumental de
Brasília.
O G1 teve acesso a fotos e a imagens de um tour virtual pelo Memorial
João Goulart, que terá uma peculiaridade: uma flecha vermelha onde
estará inscrito: “1964”, referência ao ano do golpe militar que derrubou
Jango da Presidência da República.
Sobre o projeto, Niemeyer escreveu uma “explicação necessária”: "Quem
conhece a história de João Goulart, sabe como ele foi violentamente
afastado de seu cargo com o golpe militar de 1964, que durante 20 anos
pesou sobre nosso país. E isso eu procurei manter na minha arquitetura,
da forma mais clara, com uma grande flecha vermelha a atingir a cúpula
projetada."
O filho de Jango, João Vicente Goulart, disse que foram “sete anos de
luta” para a viabilização do projeto. “Foi uma pressão política muito
grande. Agora que temos o terreno, vamos partir para a captação de
recursos para a obra”, afirmou.
João Vicente não sabe se conseguirá concluir o prédio até abril de 2014,
quando se completam os 50 anos do golpe. Mas pede reflexão: “2014 não é
só o ano da Copa do Mundo. Antes disso, temos que refletir sobre tudo o
que aconteceu em 1964”.
O Memorial da Liberdade Presidente João Goulart, orçado em cerca de R$
15 milhões, ficará na Praça Municipal, no Eixo Monumental Leste de
Brasília. A assinatura do convênio foi feita na sexta-feira (7), entre a
Secretaria de Cultura do DF e o Instituto João Goulart, representado
por João Vicente.
“Eu acho que, em um certo sentido, a assinatura que a Secretaria de
Cultura deu aqui, na semana passada, foi uma homenagem. Não tinha sido
planejada para coincidir. Esse é um processo longo, que veio pelos
escaninhos da burocracia. Mas o fato é que houve essa coincidência”,
afirmou o secretário Hamilton Pereira.
Fonte: G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário