Loira, com cabelo comprido, olhos verdes e um corpo esbelto. O
biotipo poderia ser de uma modelo, dançarina e até atriz. Mas Fernanda
Colombo Uliana brilha nas quatro linhas. Aos 21 anos, a jovem de
Criciúma, em Santa Catarina, é bandeirinha há quatro anos e se tornou
musa do futebol. Mas a catarinense não quer saber de usar a beleza para
conseguir seus objetivos, e já descartou posar nua.
- Agora não.
Quero me dedicar a carreira. Nem ensaios sensuais, no máximo uma sessão
de fotos quando meus amigos pedem - disse, porém, deixando claro que
tudo depende da proposta. - Não posso dizer que nunca farei. Agora não
quero. Mas dependendo da proposta, da minha necessidade financeira eu
irei analisar. Mas, repito, agora não poso nua. Fernanda: produzida para a noite catarinense Foto: Reprodução de internet
Muito além da beleza, que nunca a fez sonhar ser modelo,
Fernanda quer mesmo é ser reconhecida pelo seu trabalho em campo. Fã de
futebol, mesmo sem torcer para nenhuma equipe (é o que ela diz), o
desejo da professora de educação física é seguir na carreira e, um dia,
estar em grandes jogos do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e até
Copa do Mundo.
- Já trabalhei em dois jogos do Campeonato
Catarinense neste ano e um em 2011. Foram jogos do Joinville e do
Figueirense. Mas ainda faço mais partidas da liga amadora. Vou pegando
experiência e isso é importante. Quero trabalhar em grandes competições,
com grandes times. Deve ser emocionante. Quem não gostaria de estar em
uma Copa? - afirmou a bandeirinha, que é integrante do quadro de
arbitragem da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e da Liga de
Futebol da Comarca de Santo Amaro da Imperatriz (Licosai). Fernanda na saída da praia com o seu corpão Foto: reprodução de internet
Apesar do caminho não ser fácil, ela não desiste da profissão,
que surgiu na sua vida através de um convite de um professor na
faculdade. A jovem fazia atletismo e se dedicava ao esporte, quando foi
chamada para fazer um curso de arbitragem.
- Entrei de gaiato
(risos). Meu treinador ia dar um curso em Balneário Camboriú e me
convidou. Aceitei e fiz por um semestre o curso, em 2009. Com 18 anos,
bem no início de 2010, eu comecei a trabalhar em jogos do campeonato
amador. Mas sempre acompanhei pela TV, ia aos jogos no estádio e meus
pais também adoram futebol. Não me imagino fazendo outra coisa - contou,
afirmando que aprendeu a lidar com o fato de perder finais de semana. -
Isso foi o mais difícil de tudo. Eu moro longe da minha família (se
mudou para Florianópolis em 2009). E não posso marcar nada, meus finais
de semana são apenas para o futebol. Fernanda na praia Foto: reprodução de internet
Mas mesmo complicado, Fernanda tira de letra. Assim como as
gracinhas e as cantadas. São tantas, que a catarinense nem liga mais. Na
verdade, abstrai e ignora. Afinal, ela tem namorado e não quer saber de
misturar trabalho com vida pessoal. Há um ano com o fisioterapeuta
Bruno Espíndola, o jovem entende bem a função da bandeirinha e não sente
ciúmes dela.
- Quando ele me conheceu, eu já trabalhava com isso.
Ele é super tranquilo, não liga mesmo. E eu também não ligo para as
cantadas. Estou ali para trabalhar. É irrelevante para mim - falou a
professora de hidroginástica e natação.
E se o futebol não sai da
sua vida, o judô teve uma passagem breve. Fernanda fez o esporte por
seis meses quando estava cursando educação física na Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), mas foi obrigada a deixar de lado por
causa do trabalho em campo. O risco de lesões a fez abandonar a luta.
-
Eu queria continuar e gostava de lutar, mas no judô há muitas lesões no
ombro. E eu, como auxiliar, preciso do ombro 100% para poder trabalhar.
Então não teve jeito - disse a bandeirinha, que nunca sonhou jogar
futebol, por exemplo. - Luta eu gosto, mas ser jogadora de futebol não. E
não sou daquelas bandeirinhas frustradas (risos). Gosto é de estar onde
estou hoje. Fernanda com o ex-árbitro Leonardo Gaciba num encontro da classe Foto: reprodução de internet
E ser auxiliar de arbitragem não é fácil. Fernanda garante que
a pressão é grande tanto da torcida, das equipes e até da mídia. Mas
mesmo com as dificuldades, estar em campo acaba sendo gratificante acima
de tudo.
- É muito difícil. Há muitos lances complicados e nós
somos seres humanos, falhamos também. Mas acertamos mais que erramos. E
por isso que ter a experiência de atuar em vários jogos é importante. Eu
comecei debaixo, na liga amadora e hoje busco meu espaço. Assim
acontecendo com outras mulheres aqui em Santa Catarina - afirmou a
jovem, que deixou claro que não sofre preconceito. - Não acho que sofro
preconceito por ser mulher, acho que a cobrança é igual para ambos os
sexos. Hoje não existe mais essa barreira.
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