PMs usaram spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.
Por volta das 13h, os pertences dos índios foram retirados do antigo museu.
(Foto: Christophe Simon/ AFP Photo)
gás lacrimogêneo (Foto: Isabela Marinho / G1)
Após a retomada do museu, PMs do 4º BPM (São Cristóvão) vão patrulhar o local até o começo das obras do Museu Olímpico.
A invasão aconteceu após término da negociação, que começou às 3h com a chegada do Choque. Pouco antes das 11h, a PM começou a desfazer o cerco, dando indício de que havia um acordo, mas o clima de tranquilidade durou pouco: às 11h30, um grupo ateou fogo em uma oca erguida no terreno e começou a fazer uma dança. Bombeiros foram acionados para apagar as chamas.
Pouco depois, o Choque se posicionou e invadiu o local. Segundo o coronel Frederico Caldas, a decisão de entrar no antigo museu ocorreu por causa do incêndio na oca. "A Polícia Militar agiu na legalidade para uma saída negociada até que eles resolveram por fogo, que já estava se alastrando pelas árvores", afirmou o oficial. Segundo o coronel, na operação havia 200 policiais do Bope. Ainda de acordo com Caldas, não foram índios que atearam fogo na oca, mas militantes.
Por volta das 12h20, as ruas ao redor do antigo Museu do Índio pareciam uma praça de guerra. Manifestantes com pedras, paus e faixas tentavam fechar algumas das vias.
A todo momento era possível ouvir disparos feitos por policiais do Batalhão de Choque. Manifestantes foram detidos.
A ação foi acompanhada pelo deputado Marcelo Freixo, que criticou a atuação da PM. "De repente você tem tiro para cima, spray de pimenta nos parlamentares, no promotor, no defensor público. Não é possível dizer que é necessário. Mesmo que alguns resistissem era possível que eles fossem retirados sem violência", declarou Freixo. "Nós vamos agir contra esse procedimento da polícia", afirmou.
O defensor público federal Daniel Macedo, que representa os índios, criticou a entrada da PM no antigo museu. Para Macedo, os policiais do Batalhão de Choque agiram de maneira truculenta. “Foi uma arbitrariedade. Não precisava disso, eles [os índios] já estavam prestes a sair. Apenas um pequeno grupo permanecia no prédio. Eles me pediram 10 minutos para fazer uma dança de despedida, quando os PMs entraram. Vou analisar imagens e talvez entre com uma representação pedindo a responsabilidade da polícia.”
O major da PM Ivan Blaz afirmou que se houve truculência durante a desocupação do antigo Museu do Índio, será averiguado. “Ainda estamos em ação. Tudo vai ser verificado e apurado no seu momento. Por enquanto ainda estamos em operação. Peço a compreensão de todos para que a gente possa liberar a via para que milhões de pessoas possam voltar às suas rotinas”, declarou.
Detidos e feridos
Entre os manifestantes havia estudantes, integrantes de grupos sociais e até ativistas do Femen. Uma delas, de seios de fora, foi detida pouco antes da invasão. Revoltada, ela gritava "assassinos".
O fotógrafo do jornal "O Globo" Pablo Jacob foi atingido na perna por granada de efeito moral.
Entenda o caso
A polêmica sobre o destino do espaço começou em outubro de 2012, quando o governo do estado anunciou mudanças no entorno do Maracanã, para que o estádio pudesse receber a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016.
Pelo projeto da Casa Civil, o Maracanã seria transferido para a iniciativa privada, que deveria construir um estacionamento, um centro comercial e áreas para saída do público. Para isso, alguns prédios ao redor do estádio deveriam ser demolidos, entre eles o casarão do antigo Museu do Índio, que funcionou no local de 1910 até 1978.
O edifício com área de cerca de 1.600 m² está desativado há 34 anos. O grupo de indígenas que ocupa o prédio – e deu ao museu o nome de Aldeia Maracanã – está no local desde 2006.
Esse ano, no entanto, a 8ª Vara Federal Cível do Rio de Janeiro concedeu imissão de posse em favor do governo estadual. Os índios foram notificados em 15 de março.
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