terça-feira, 9 de abril de 2013

Raimundão dá 96 cargos e implode G11


09/04/2013 às 15:08






Madson Vagner
Raimundo Macedo (Foto: Serena Morais)
Sufocado por denúncias que estouram sistematicamente na Câmara Municipal, o novo governo de Juazeiro do Norte, segundo pronunciamentos de vereadores da bancada de oposição, não consegue dar as respostas que a sociedade espera, e mergulha a terra do Padre Cícero num verdadeiro caos político e administrativo.

Com secretarias inoperantes, como Infraestrutura, Cultura, Esporte e Saúde; além de setores acuados por denúncias como a Licitação, a máquina administrativa relevou as demandas e acabou sendo pautada por elas. Nas últimas semanas, o Município tem assistido, e sofrido, com as fortes chuvas que acabam castigando a população por falta de planejamento estrutural.

Casas em estado de risco, ruas esburacadas, calçamentos levados pela água, ruas intransitáveis e verdadeiras crateras abertas em pleno centro, têm feito parte da paisagem da cidade. Sobre o assunto, na última sessão da Câmara, os vereadores Cláudio Luz (PT) e Preto Macedo (PMDB) trocaram acusações. Luz acusou Raimundão de ser negligente com as questões estruturais de Juazeiro, enquanto isso, Preto fez uma defesa pessoal do Prefeito que, segundo ele, está cansado de “apanhar”.

Após cem dias de governo Raimundo Macedo, são vários os setores destacados por tensões e erros grosseiros de avaliação. Exemplo disso foi a condução da decisão de fechar escolas na zona rural sem conversar com os envolvidos. Essa falta de habilidade tem se mostrado, até com mais vigor, na condução política e interação com o Legislativo.

Descaso com a falta planejamento castiga a população juazeirense, que sofre com a precariedade de infraestrutura e os estragos provocados pelas chuvas dos últimos dias (Foto: Serena Morais)

Conflito com a Câmara

A crise que passa a administração Raimundão, na sua forma institucionalizada, começou ainda no mês de janeiro,
quando o prefeito esnobou os vereadores Darlan Lobo e Ronnas Motos, ambos do PMDB, e acabou perdendo a eleição para mesa diretora da Casa.

“Vereador que pensar em ganhar o dinheiro da prefeitura, é melhor montar um comércio. Aqui não vai ter dinheiro pra vereador”, tencionou Raimundão. “Ele me ofereceu R$ 500 mil e mais presidência para mudar de lado,” respondeu Darlan. A dificuldade de diálogo com a oposição acabou mergulhando o governo Raimundão em uma
das mais profundas crises política já vista em Juazeiro.

Nos primeiros cem dias, o cidadão de Juazeiro ouviu vereador denunciando tentativa de coação financeira, aliados ameaçando deixar o governo por falta de participação e derrotas constantes na Câmara, como na emblemática abertura de três CPIs, para investigar, entre outros, desvio de verba na construção de três Creches, ainda, no primeiro governo Raimundão (2005-2008).

Crise institucional
A crise institucional começou ainda em janeiro, quando, ao anunciar o secretariado, o prefeito Raimundo Macedo,
colocou na Saúde, pasta estratégica, um interino, Micaelce Santana. Durou pouco. O quadro se aprofundou com o pedido de exoneração do então secretário efetivo, Damásio Soares, no início deste mês.

No mesmo ritmo, a Secretaria de Cultura viu o radialista, poeta e artista popular, Wellington Costa, pedir exoneração, visivelmente insatisfeito. Já no caso do esporte, a juventude viu o secretário Professor Antônio dizer que vai “tapar” o buraco, projetado para ser uma piscina semiolímpica.

Na licitação, bombardeada com denúncia e vigília de uma comissão de vereadores a cada concorrência pública, a chefe do órgão não aguentou a pressão e, também, pediu exoneração, dando a Marcelo de Lima. Séfora Barbosa foi convocada três vezes à Câmara, mas não atendeu aos chamados.

Na educação, a situação é pior. Depois de retirar gratificações dos professores, reduzindo consideravelmente seus salários, a secretária Célia Viana esbanjou dinheiro na dispensa de licitação da merenda que não chegou às escolas. O detalhe é que a empresa agraciada com a dispensa de licitação, no valor de R$ 1,7 milhão, é ligada às diretoras da Secretaria. Mesmo com tantos desgastes, Célia se mantém.

Fonte: Jornal do Cariri

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