Atualizado em
26/04/2013 06h35
Ação será realizada sábado na Praça Saldanha Marinho, em Santa Maria.
Na manhã seguinte, familiares farão barulho para homenagear as vítimas.
"Faremos uma experiência. Será uma integração para todos. Vamos unir pais que não se conhecem em uma reunião básica de conversa e oração. A associação também está voltada à espiritualidade de cada pai, não só à questão da justiça", afirmou Adherbal ao G1.
Santa Maria (Foto: Felipe Truda/G1)
Após o amanhecer, a ação continua. As vigílias que vêm sendo realizadas ao longo das manhãs, também na praça Saldanha Marinho, continuarão. Diferentes pais de vítimas se alternam ao longo da ação, que teve início no último dia 2 e seria estendida por 241 dias. Depois que o sol nascer, assim como nos dias 27 de fevereiro e março, os familiares realizarão o "barulhaço". A partir das 18h, missas serão realizadas em memória das vítimas. Caminhadas pela cidade também estão previstas no fim do dia.
"As 8h da manhã de sábado, vamos tocar os sinos, a buzina e as palmas. Este ato do dia 27 já é uma tradição nossa. Muitas pessoas de fora de Santa Maria já confirmaram presença", disse Adherbal, que ressalta a importância do evento para integrar os familiares de vítimas. "A mente humana tem de ser tratada. Queremos trazer os pais à vida, e isso só se conegue com a integração entre quem também faz parte. Um pai que tem a dor sabe o quanto do ao outro."
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 241 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.
O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados
Veja as conclusões da investigação
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas
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