Atualizado em
01/05/2013 19h32
MP catarinense investiga denúncias de fraudes desde o fim de 2012.
Ex-prefeito João Paulo Kleinübing nega todas as denúncias apresentadas.
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Prefeito: Brollo?
Brollo: Oi
Prefeito: Conhece a denifiniçao do termo "f..."?
Brollo: Alô? Não, não... falhou, chefe, nao escutei
Prefeito: Conhece a denifiniçao do termo "f..."?
Brollo: Ai, meu Deus
Prefeito: F..., f..., vais entender, f...
Brollo: Certo
Prefeito: Falei com o Nelson agora né, do Walfredo me provocou agora, algum luminar do BNDS mandou correspondência pro Badesc... advogado, advogado m..., advogado m...,
equiparando operaçao de crédito a transferência voluntária de recurso
Brollo: F...
Prefeito: Ou seja, o prazo não é mais 31 de agosto, mas 7 de julho...
Brollo: é depois de amanhã
Prefeito: Deve estar licitada e com ordem de serviço emitida
Brollo: Eu posso pegar férias agora, chefe, ao invés de segunda?
Prefeito: Isto é a definição do termo "f...", né?
Brollo: Sim
Prefeito: Então f...
Brollo: P... que pariu
Prefeito: Então... Brollo, preciso trazer tu e o Jacomel aqui agora...
Brollo: Sim
Prefeito: Tá? É... tava começando a conversa agora com a Marli, depois se for o caso eu chamo o Jair aqui ainda hoje, tá? Assim ó: dispensa pra URB com data atrasada e ordem de serviço com data de hoje
Brollo: Tá bom, tô ligando pro Jacomel e tô indo para aí
Prefeito: De projeto que não existe
Brollo: Não, até existe, né?
Prefeito: É, só que assim, naturalmente, Brollo, porque eu preciso que vocês dois venham aqui: eu não vou fazer isso pra R$ 20 milhões, nem faz...
Brollo: não, claro, claro, claro, e tem mais ou menos as obras que eles podiam fazer lá
Prefeito: Isso, exatamente. A questão é: o que que de fato, o que nós vamos priorizar, o que nós temos capacidade de execução, pra começar agora e essa nós vamos encaminhar,
nós vamos fazer de tudo, né também...
Brollo: não, não, mas isso aí, isso aí tem... mais ou menos nós já temos
Prefeito: (...) pra gente trabalhar nisso
Brollo: meia hora aí
Prefeito: meia hora aqui
Logo em seguida, segundo investigação do Ministério Público, Brollo liga para Eduardo Jacomel, que na época ocupava o cargo de diretor-presidente da Companhia Urbanizadora de Blumenau (URB), e comenta a conversa havida com o prefeito. No documento sobre a investigação, o MP destacou o trecho em que Kleinübing fala explicitamente sobre a suposta ilegalidade: "dispensa pra URB com data atrasada e ordem de serviço com data de hoje".
A divulgação repercutiu na última sessão da Câmara de Vereadores de Blumenau. O vereador Jefferson Forest pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso e ganhou o apoio de alguns colegas.
Kleinübing negou todas as denúncias e afirmou que não houve fraude dos documentos de licitação. "Nenhum contrato foi assinado com data retroativa. Os contratos as quais aquela gravação se refere foram assinados no dia 6 de julho, portanto, no dia seguinte àquela nossa conversa", afirmou. "Não faria sentido nós fraudarmos uma licitação para a URB ganhar, que é da própria Prefeitura, para prestar serviço abaixo dos preços do mercado", completou.
A Operação Tapete Negro, que começou há quatro meses, teve o processo desmembrado. A Justiça Eleitoral já apontou a condenação de três vereadores e dois suplentes envolvidos no esquema de fraudes em obras de pavimentação. Mas, na esfera criminal, não há definições. Todos os envolvidos entraram com recursos e, desde dezembro é aguardada uma nova decisão do Ministério Público ou da Justiça.
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