Crossover mexicano tem conteúdo para enfrentar Ford EcoSport.
Preço inicial de R$ 71.990, no entanto, o afasta da briga.
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Ford EcoSport, mas preço atrapalha
(Foto: Flavio Moraes / G1)
Precursor da categoria e já na segunda encarnação, é natural que o EcoSport sirva (e servirá a cada lançamento) como plataforma de comparação. Ter avançado significativamente em acabamento, dirigibilidade e no visual ainda torna mais efervescente os embates contra os atuais e futuros concorrentes. E é na superioridade do EcoSport que o Tracker se revela.
Boa ergonomia é uma qualidade de ambos, mas novamente com vantagem para o Tracker. Volante de boa pegada e com bom ângulo de ajuste de profundidade e altura os dois têm, mas no GM o painel é mais fácil de ler. Não que o do Ford não seja atraente, mas exige do condutor certo esforço para entender o que diz o visor central. Por fim, o Tracker é mais “democrático” no ajuste de altura do banco, permitindo, ao contrário do rival, que se atinja uma posição mais rente ao chão (portanto, mais esportiva).
Duratec x Ecotec
Outra semelhança é o nível de potência e toque. São 140/144 cavalos e 17,8/18,9 kgfm de torque no Tracker, e 140/147 cv e 18,9/19,7 kgfm para o EcoSport. A GM chega a tais números usando o Ecotec 1.8 16V (o mesmo do Cruze), enquanto a Ford lança mão do Duratec 2.0 16V (o mesmo do Focus).
Quanto à transmissão, a escolha de cada marca toma rumos diferentes: automática no Tracker, automatizada de dupla embreagem no EcoSport, sempre de seis marchas. As trocas, aumentando ou reduzindo a velocidade, são suaves no Tracker, mas não tão rápidas quanto no Eco. A sintonia entre motor e câmbio também agrada no Chevrolet, mas não tão empolgantes quanto no veterano crossover.
Experimentado no Campo de Provas da GM em Indaiatuba, o Tracker apresentou um acerto de suspensão superior do EcoSport. O estreante foi surpreendente na absorção das irregularidades do piso, destruído (e muito) propositalmente em alguns trechos. Sem solavancos ou pancadas secas da suspensão, o modelo pouco incomodou os ocupantes ao passar por buracos e sobressaltos. Graças em boa parte aos 13,1 cm de distância em relação ao solo, ante 20 cm do rival, ainda foi exemplar nas curvas – mesmo nas mais fechadas e abordadas mais freneticamente, a carroceria pouco inclinou e os pneus (os sofisticados Continental 215/55 R18) pouco chiaram.
Bom que seja assim. Afinal, não há controles de estabilidade ou tração no Tracker (sequer como opcionais), que aparecem no EcoSport já em sua versão FreeStyle 1.6, de R$ 61.500.
No trecho de reta, o Tracker se manteve sob controle mesmo a 190 km/h. E o único incômodo nessa velocidade, o barulho do vento invadindo a cabine, pouco será notado, já que aparece somente aos 160 km/h, velocidade bem acima do permitido nas estradas brasileiras.
Conflito interno
Contudo, não adianta ser um automóvel empolgante e forte candidato a virar referência do segmento se não for acessível – e por R$ 71.990 vai beliscar uma pequena fatia do mercado. O problema do Tracker está na nacionalidade: produzido no México, ele disputa espaço de cotas de importação com os conterrâneos Sonic e Captiva. Caso lançasse a configuração mais em conta, enfrentaria uma demanda que não poderia atender.
Isso obriga a GM a ser modesta na previsão de 900 emplacamentos por mês – pouco mais da metade que o EcoSport vende por semana, em média. Logo, a empresa tem poucas opções: produzir o Tracker no Brasil ou reduzir o volume de importação de Sonic ou Captiva. Considerando o tempo e dinheiro gastos na criação/adaptação de uma linha de produção, o fato de o Sonic ainda ser um novato no mercado e as vendas do SUV minguando a cada mês, é natural que a GM vá abrindo espaço para o Tracker no terreno do Captiva – cuja versão V6 sumiu até mesmo do site da fabricante.
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