quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Atlético-PR tem santa padroeira vinculada a carrascos do Flamengo

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Nos anos 80, Assis e Washington, que virariam ídolos do Flu e seriam campeões sobre o Fla, ajudaram Nossa Senhora da Salette a virar um símbolo do Furacão

Por Curitiba

Eram tempos decisivos para o Atlético-PR no início dos anos 80. Título paranaense em 1982. Ótima campanha e presença nas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1983. Time forte, sólido, com dois atacantes raros. E uma santa protetora.  Assis e Washington, que depois iriam para o Fluminense e se tornariam carrascos do Flamengo, foram alguns dos mentores da aproximação entre o Furacão e Nossa Senhora de Salette, hoje um símbolo do clube.

Começou aos poucos. Assis, paulista de nascimento, percebeu que era forte o carinho pela santa em Curitiba, sua nova casa. Gostou do nome dela, por ser devoto de Nossa Senhora Aparecida. E passou a frequentar, com outros atletas, uma capela dela na cidade. A história foi crescendo, e os resultados seguiram o mesmo compasso. Foi aí que a torcida começou a também entrar na onda, vinculando o sucesso nos campos à ajuda superior.

- A torcida do Atlético abraçou isso. Começou a crescer essa devoção. A gente não pedia para vencer o jogo. O que a gente queria era proteção. Tínhamos muita fé. Quase todo o grupo era assim. Mas o torcedor não pedia só isso. Ele queria mais. E começou a achar que a santa estava nos ajudando a conseguir os resultados - comentou Assis, tricampeão carioca pelo Fluminense em 1983, 84 e 85, destacando-se ao fazer gols sobre o Flamengo em finais.
Padre Chemin Atlético-PR com Nossa Senhora da Salette (Foto: Alexandre Alliati)Padre Chemin cuida da imagem de Nossa Senhora da Salette enquanto Arena está em obras (Foto: Alexandre Alliatti)
A relação se fortaleceu com os anos - apesar da queda nas semifinais do Brasileirão de 83, justamente contra o Flamengo. Uma imagem pequena da santa foi parar, desde então, no vestiário atleticano. As orações dos católicos são dirigidas a ela antes das partidas. A sede do Atlético também tinha uma imagem, esta maior, que agora está sob os cuidados do padre Chemin, capelão do clube, enquanto a Arena passa por obras. A capela do Furacão, no CT, também tem uma estátua da santa.

Ela é reverenciada em missas - ou na data dela, em 19 de setembro, ou no aniversário do clube, em 26 de março. Os devotos dela, atleticanos ou não, costumam frequentar um santuário dedicado a ela em Curitiba.
a História da santa

Padre Chemin Atlético-PR com Nossa Senhora da Salette (Foto: Alexandre Alliati)Nossa Senhora da Salette, a padroeira do Atlético (Foto: Alexandre Alliati)
A tradição católica conta que a santa apareceu para duas crianças em 1846 em La Salette, uma aldeia nos Alpes franceses, e as acolheu. Chorando, vestida de camponesa, lamentou as desgraças do mundo (fome, doenças) e protegeu os pequenos Maximino e Melânia: "Vinde, meus filhos, não tenhais medo".

É uma santa com a imagem vinculada à proteção. A oração dela tem o seguinte texto:

"Lembrai-vos, ó Nossa Senhora da Salette, das lágrimas que derramastes por nós, no calvário. Lembrai-vos também dos cuidados que, sem cessar, tendes por vosso povo, a fim de que, em nome de Cristo, se deixe reconciliar com Deus. E vede se, depois de tanto terdes feito por vossos filhos, podeis agora abandoná-los. Reconfortados por vossa ternura, ó Mãe, eis-nos aqui, suplicantes, apesar de nossa infidelidade e ingratidão. Não rejeiteis nossa oração, ó Virgem Reconciliadora, mas volvei nosso coração para vosso Filho. Alcançai-nos a graça de amar Jesus acima de tudo e de vos consolar por uma vida de doação, para a glória de Deus e o amor de nossos irmãos. Amém".
A fé atleticana

O padre Chemin é o capitão do Atlético-PR quando o assunto é fé. Desde 2006 cuidando da espiritualidade de jogadores e funcionários do clube, ele é figura presente no vestiário e em jogos - estará no camarote da presidência no primeiro encontro da final da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, na Vila Capanema. Não por acaso, ficou sob a proteção dele a imagem de Nossa Senhora da Salette enquanto a sede do clube passa por obras. A estátua foi reformada.

O capelão, claro, é atleticano roxo. Une a paixão pelo clube a seu ofício. É ele quem reza as missas oficiais do Furacão. E também quem conversa com os jogadores - ou em grupo, como pode acontecer antes de jogos importantes, ou individualmente. Já foi chamado para tranquilizar ex-jogadores do Atlético -  casos Alex Mineiro, quando sofreu uma lesão na face, e Alan Bahia, em um acidente de carro. Comandou o casamento de atletas como Kleberson, Alessandro e Dagoberto.
Padre Chemin Atlético-PR com Nossa Senhora da Salette (Foto: Alexandre Alliati)Padre Chemin e a imagem da santa na capela do Seminário São José, em Curitiba (Foto: Alexandre Alliati)


Ao conversar com os atletas, padre Chemin costuma passar quatro recados: racionalidade (para que não corram o risco de expulsões), humildade (jogar com vontade, sem espaços para a soberba), unidade (evitar o individualismo) e disciplina (seguir as normas coletivas do clube). E diz a eles em missas:

- Deus não chuta a bola para ninguém. Vocês têm que fazer a parte de vocês.

Nesta quarta-feira, se for chamado, o padre Chemin conversará novamente com os jogadores antes da final. E ele já foi convidado pelo clube para acompanhar a delegação no segundo jogo da decisão da Copa do Brasil, semana que vem, no Rio de Janeiro.

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