Durante visita de senadores à cadeia, presos reclamaram da comida, da
superlotação e da lentidão do Judiciário (Foto: Karlos Geromy/OImp)
A atrocidade que extrapolou os
limites do presídio de Pedrinhas, no Maranhão, com a exibição de cabeças
decapitadas e uma criança morta em um incêndio a ônibus, multiplicou-se
pelo país. Nas últimas 72 horas, episódios graves de violência mudaram o
cotidiano de diferentes cidades brasileiras. Na rica Campinas (SP), que
integra a lista nacional dos 30 municípios com melhor Índice de
Desenvolvimento Humano, uma chacina deixou 12 mortos. Em Campo Novo de
Rondônia, uma quadrilha fez assaltos em série, houve troca de tiros e
oito pessoas morreram.Em
Avaré, no interior de São Paulo, cerca de 1,3 mil detentos se rebelaram.
Mesmo com um incremento em investimento na segurança pública — foram
aplicados R$ 61 bilhões pela União e por estados em 2012, 16% a mais que
no ano anterior —, a violência permanece registrando taxas alarmantes.
São 25 mortes por 100 mil habitantes. A proporção é 2,5 vezes maior que o
considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 10
assassinatos por 100 mil pessoas. Para o especialista em segurança
pública Robson Sávio Reis Souza, coordenador do Núcleo de Estudos
Sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
(PUC-MG), há três grandes reformas no país que nunca foram encaradas
desde a democratização: nas polícias, no sistema prisional e na Justiça.
“Temos duas polícias que competem entre si, não trabalham com inteligência. Ainda estão saindo do século 19 para o 20, sem saber como prevenir delitos do século 21”, critica Souza, que é membro titular do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Justiça, segundo ele, mantém-se encastelada, passiva diante das reformas legislativas que permitem uma série de recursos protelatórios.
“É um sistema (o judicial) que beneficia quem tem dinheiro e bons advogados, enquanto atrocidades são cometidas contra quem não pode pagar por uma defesa. Sem contar que quase 50% dos presos não têm sequer sentença”, diz o especialista. No caso das prisões brasileiras, Souza é enfático: “Um sistema caro, ineficiente e arbitrário, que originou o maior grupo organizado do país, já com braço internacional”, destaca. Ele chama atenção para o fato de 50% dos 550 mil detentos no Brasil serem condenados por crimes contra o patrimônio e 25% por delitos relacionados a drogas. “Homicidas estão livres. A situação do Maranhão pode acontecer em qualquer estado brasileiro.”
Fonte: Correio Braziliense
“Temos duas polícias que competem entre si, não trabalham com inteligência. Ainda estão saindo do século 19 para o 20, sem saber como prevenir delitos do século 21”, critica Souza, que é membro titular do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Justiça, segundo ele, mantém-se encastelada, passiva diante das reformas legislativas que permitem uma série de recursos protelatórios.
“É um sistema (o judicial) que beneficia quem tem dinheiro e bons advogados, enquanto atrocidades são cometidas contra quem não pode pagar por uma defesa. Sem contar que quase 50% dos presos não têm sequer sentença”, diz o especialista. No caso das prisões brasileiras, Souza é enfático: “Um sistema caro, ineficiente e arbitrário, que originou o maior grupo organizado do país, já com braço internacional”, destaca. Ele chama atenção para o fato de 50% dos 550 mil detentos no Brasil serem condenados por crimes contra o patrimônio e 25% por delitos relacionados a drogas. “Homicidas estão livres. A situação do Maranhão pode acontecer em qualquer estado brasileiro.”
Fonte: Correio Braziliense
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