sábado, 15 de março de 2014

Crato-CE: Água depende da floresta preservada










Espécie criticamente ameaçada de extinção, o Soldadinho do Araripe é exclusivo do território cearense (Foto: Ciro Albano)
É na vegetação úmida, mata mais verdejante que fica na encosta da Chapada do Araripe e próxima às nascentes, o ambiente, onde o Soldadinho do Araripe (Antilophia bokermanni), o pássaro global mais ameaçado de extinção, busca refúgio da onda de destruição que quase dizimou sua espécie. Único pássaro, exclusivo em território cearense, a pequena ave da família dos piprídeos, com sua plumagem branca, rabo preto e um espetacular topete vermelho que cai sobre o bico é a prioridade máxima para conservação da biodiversidade no Estado do Ceará, com apenas 200 casais observados.

O Soldadinho do Araripe, como afirma o biólogo da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) e um dos descobridores da espécie, Weber Girão, é um símbolo para conservação das águas e matas da Chapada do Araripe, que são justamente os fatores que fazem do Cariri um oásis.

Essa "ilha verde" - resquício de Mata Atlântica entre a mata branca da Caatinga - está inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Araripe. O gerente da APA, Paulo Fernando Maier Sousa, afirma que a APA Chapada do Araripe, ainda tem dificuldades com limites em seu 1 milhão e 63 hectares. "É descrita como uma curva de nível: começa em Pernambuco, aos 640 metros de altitude; aqui no Ceará chega aos 500 metros; e, no Piauí, a 480 metros. Estamos reconstruindo os limites, apesar das dificuldades de encontrar alguns documentos e estamos fazendo isso junto ao conselho com representantes dos três Estados". Ele lamenta que, por isso, o Plano de Manejo da APA esteja atrasado oito anos.

Maier destaca que a APA tem um problema considerado grave que são as queimadas. Em 2009, por exemplo, foi segunda unidade de conservação no País em número de focos de calor, que é diferente de área queimada. "Como é uma região muito ocupada, de uso sustentável, não é estranho porque isso é uma prática tradicional. As vezes o fogo perde o controle. A gente tem um monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), satélites com sensores térmicos que registram diariamente o número de focos de calor. Segundo Meier, ano passado foram mais de 2.000 focos de calor nos municípios que compõem a APA, mas 838 dentro da APA. "Neste ano, estamos tentando conseguir um conjunto de equipamentos que possam ser colocados à disposição de trabalhadores, nos diferentes municípios, para o combate aos incêndios florestais".

Floresta NacionalDentro da APA, temos a primeira Floresta Nacional (Flona) do Brasil, a Floresta Nacional do Araripe. Segundo William Brito, chefe da Flona e funcionário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Unidade de Conservação (UC) tem, com a área incorporada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 40 mil ha. Brito explica que a Flona foi criada em 1946, mas só foi demarcada em 1973, 27 anos depois.

Passear durante a manhã por esse ambiente verde e enevoado é uma experiência única. Brito revela que a umidade que vem das chuvas, vai para as fontes, e faz com que a vegetação seja subperenifolia, ou seja, mesmo na época mais seca, ela não perde as folhas totalmente, como acontece na Caatinga. "Boa parte das plantas que vivem na encosta estão adaptadas para aproveitar o orvalho, a umidade que está nessa névoa. Isso é o espelho dos brejos úmidos do Nordeste. A neblina se dissipa por volta das 10 horas, mas as plantas já absorveram a umidade", resume alegremente.

Conforme o chefe da Flona, os brejos de altitude têm como principal característica a diversidade: "nós temos, na encosta da Chapada, a mata úmida. Quando começamos a subir a Chapada e nos afastamos dessa mata úmida, essa umidade vai diminuindo e a mata se transforma em cerradão, aquilo que, no bioma cerrado, aparece nos cursos d´água. Ao se afastar um pouco mais, a secura aumenta e temos o Cerrado, onde predominam o pequizeiro e a janaguba. Se afastando mais, você tem o Carrasco, um ecossistema muito específico da nossa região, só existe no Araripe e na Ibiapaba. Ao passar para o outro lado, temos a Caatinga. Mata Úmida, Mata Seca, Cerradão, Cerrado, Carrasco e Caatinga. É um complexo. A Chapada do Araripe é uma ´Ilha de Mata num mar de Caatinga", filosofa Brito.
Recursos hídricos
De acordo com ele, mais de 70 pesquisas estão em andamento na Flona do Araripe. O extrativismo beneficia 1.500 famílias, que, nesta época, coletam Pequi. "A Floresta cumpre seu papel social e ecológico. Podemos dizer, hoje, que o maior fornecedor de água para a Região Metropolitana do Cariri é a Flona do Araripe. É uma área de 40 mil ha, cada hectare são 10 mil m2. Se imaginar que em cada metro quadrado cai mil litros de água por ano e 90% disso, no mínimo, infiltra, quem bebe água em Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha tem que agradecer todos os dias a existência da Flona", afirma.

Mas a água não é só solução na Chapada do Araripe. O biólogo Weber Girão alerta que o Soldadinho é considerado ameaçado de extinção pela degradação florestal, desmatamento e mau uso dos recursos hídricos. "A legislação brasileira diz que você não deve fazer encanamento total de nascente. Você deve respeitar os 50 metros e muitas nascentes aqui são encanadas 100%. O cara faz uma caixa de alvenaria em torno da nascente e sai um cano. Se o passarinho quiser beber água só se ele for um pica-pau para furar o cano para pegar água. O que acontece com isso? A vegetação da nascente seca, a vazão da água diminui", alerta.

Na Nascente do Batateira, um dos habitats do Soldadinho, existem 59 outorgas para uso da água. São canos que retiram a água do local e levam para uso em lavoura, consumo e lazer. Segundo Claire Anne Viana, geóloga e analista em gestão de recursos hídricos e águas subterrâneas da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), hoje, no Crato, se usa 380 litros de água por habitante por dia, quase quatro vezes o que recomenda a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). "São 29 poços funcionando 20 horas por dia", alerta.

O nível, apesar de não ser o ideal, ainda não é o problema principal. "O problema não é quantidade, mas qualidade (da água). Nós temos observado que está crescendo a alteração no nível de nitrato. No começo do nosso projeto (60 poços analisados), em 2009, tínhamos cinco poços que apresentavam alteração de nitrato. Cinco anos depois, passamos ter 12 poços com alteração, o que não significa dizer que não se pode usar. Mas isso está crescendo", enfatizou.
FIQUE POR DENTRONascentes sofrem com encanamento desordenadoAmbientalistas denunciam o problema dos encanamentos nas nascentes da Chapada do Araripe. A nascente da Batateira é uma delas. Atualmente existem 59 autorizações (outorgas) para uso da água. Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a maior outorga é da Sociedade Anônima da Água e Esgoto do Crato (SAAEC), que utiliza a água para abastecimento humano. Os técnicos da Cogerh explicam que não é qualquer um que pode fazer uma ligação da fonte para sua casa ou propriedade. É necessário preencher uma ficha. Para cada uso, existe uma especialidade. A primeira é a de abastecimento humano; a segunda é para uso para animais; a terceira, indústria; a quarta, irrigação; e a última é lazer. Conforme a Cogerh, 65 famílias e mais 20 mil pessoas do bairro Seminário usam a água, que possui uma comissão gestora.

Fonte: Diário do Nordeste 

Ceará lidera tentativas de fraude online no Nordeste









Segundo estudo, a cada R$ 100 em compras no meio virtual, R$ 6 representam alguma ação indevida (Foto: Ilustrativa)
Não é novidade que hábito de comprar pela internet tem aumentado cada vez mais entre os consumidores em todo o País. Contudo, a medida que o e-commerce cresce, as tentativas de fraudes também tem se espalhando no meio virtual. Pesquisa realizada pela ClearSale, empresa especializada em detectar esse tipo de crime na internet, aponta o Ceará apresentou a maior incidência em tentativas de fraude no comércio eletrônico em todo o Nordeste em 2013.Segundo a análise, 6,56% de todo o volume transacionado no comércio digital, no Ceará, corresponderam a tentativas de fraudes. “Isso significa que a cada R$ 100 em compras, R$ 6,56 representou uma ação fraudulenta de criminosos”, explica Gabriel Firer, coordenador de projetos corporativos da ClearSale.
RankingNo ranking da pesquisa, a incidência de burla as compras online no Ceará supera a de outras unidades federativas do País, que também têm alto índice: Bahia (6,14%), Maranhão (5,43%), Paraíba (4,28%) e Rio Grande do Nordeste (4,16%). Em contrapartida, o Sergipe, teve o menor número da Região, com 3,38%. Para Firer, este é um número considerado alto para o Ceará, quando comparado com a média nacional. “Não sabemos com exatidão o por quê disso, mas temos algumas teorias. Uma delas, é o maior acesso ao cartão de crédito e, muitas vezes, os consumidores não sabem dos riscos aos quais estão expostos”, analisa.Cartão de crédito
O cartão de crédito, a modalidade de pagamento mais utilizada no comércio eletrônico, foi foco da análise feita pela empresa. “Existem três tipos de estornos com cartões de crédito no e-commerce: a fraude, quando o verdadeiro dono do cartão não fez a compra; a auto-fraude, quando o verdadeiro dono faz a compra e dissimula que não a fez; e a fraude amigável, quando pessoas próximas do verdadeiro dono fizeram a compra”, conta.
IdentificaçãoEspecializada na prevenção de fraudes e autenticação de vendas, a empresa analisou no último ano 46 milhões de transações e evitou 374 mil transações indevidas. O número corresponde a R$ 353 milhões em compras fraudulentas impedidas.</MC> Firer explica ainda como funciona o processo para detectar a tentativa de fraude.“Sempre que uma compra é realizada e o consumidor coloca os dados da forma de pagamento, antes das informações irem para a administradora do cartão, elas passam pela ClearSale, onde é analisado se aquela compra está sendo realizada pelo verdadeiro dono do cartão”, explica o coordenador.
Fonte: Diário do Nordeste

Fortaleza é 2ª do País em uso de crack









No ranking geral do uso de drogas ilícitas (maconha e crack), Fortaleza ocupa a 17ª colocação do Brasil, com 7,8% dos estudantes que afirmam ter usado essas substâncias em algum momento em 2012 (Foto: Divulgação)
Fortaleza desponta como a segunda capital do País em número de estudantes do 9º ano do ensino fundamental que afirmam ter usado o crack dez ou mais vezes, com um índice de 3,8% entre alunos das escolas públicas e privadas. Em primeiro lugar está Palmas (TO), com 5,1%. A conclusão consta em análise feita pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), retratando o ano de 2012.

Os resultados da análise do Ipece foram divulgados, no mês passado, no informe intitulado "O uso de drogas ilícitas entre estudantes do ensino fundamental em Fortaleza e demais capitais brasileiras". No informe, a posição de Fortaleza cai para a 12ª, com 1,2%, quando a frequência é entre três e nove vezes e passa para a sétima colocação quando o uso foi uma ou duas vezes (3,1 %).

Segundo o estatístico do Ipece Cleyber Nascimento de Medeiros, os dados analisados pela equipe tomam como partida as informações do IBGE na Pense, que é anual e tem como público-alvo os estudantes do 9º ano, "que são crianças entre 13 a 15 anos e já têm condições de responder às perguntas acerca de fatores relacionais ao uso de droga, violência escolar e em casa, consumo de bebidas alcoólicas, entre outras questões".

Medeiros lembrou que o objetivo do Ipece foi contribuir "não investigando, mas trazendo os dados para o debate e oferecendo elementos para a elaboração ou melhorias de políticas públicas". Uma das constatações da análise, observou, foi identificar que o acesso às drogas ilícitas pelo estudante é "mais fácil do que se imaginava".

Rede públicaO estudo também desmistifica a tese de que o uso de drogas estaria concentrado na rede pública de ensino, embora aponte que é ali onde o problema ocorre com maior incidência na capital cearense. Mas no Nordeste, conclui a análise, o uso de drogas entre os escolares da rede pública é ligeiramente inferior ao das escolas privadas, 5,0% e 5,3%, respectivamente.

A análise mostra, ainda, o ranking geral do uso de drogas ilícitas (maconha e crack). Fortaleza, neste caso, ocupa a 17ª colocação, com 7,8% dos estudantes que afirmam ter usado as substâncias alguma vez em 2012. A classificação é liderada por Florianópolis (SC), com 17,5%; Curitiba (PR), com 14,4 %, e o Distrito Federal, com 14,1%.
Na classificação geral, o perfil dos jovens, por sexo e tipo de escola, também foi avaliado. Os adolescentes do sexo masculino se sobressaem no Brasil, com 8,3% (feminino com 6,4 %); no Nordeste, com 6,7% (3,7%), e em Fortaleza, com 9,6% e 6,1 % do sexo feminino. Em relação ao tipo da rede de ensino que frequenta, destaca-se que para o Brasil a maioria é proveniente de escolas públicas (7,5 %).

Também participaram do trabalho os economistas do Ipece Raquel da Silva Sales, que coordenou o estudo, Luciana de Oliveira Rodrigues, Carlos Alberto Manso e Dércio Chaves.

Sobre o assunto, a advogada e psicanalista Rossana Brasil Kopf, que preside a Comissão de Políticas Públicas sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil- Seção Ceará (OAB-CE), lembra que o Estado está em primeiro lugar o Nordeste em consumo de crack na faixa etária de 17 a 35 anos, conforme dados de pesquisa Fundação Fiocruz, em 2013. "Vivemos uma epidemia em todo o Nordeste", citou, defendendo, porém, que o Ceará "parte na frente em termos de polícia pública". A Assessoria de Política Públicas no Estado funciona, bem como a Coordenadoria de Políticas Públicas no município, opina Rossana.

Prevenção"Entendo que temos que prevenir para não remediar", enfatizou a Assessora Especial de política Públicas sobre Drogas do gabinete do governador do Ceará, a procuradora Socorro França. A capacitação de professoras, a fim de que saibam como falar com alunos sobre drogas, e inclusão dessas problemática nas grades curriculares são propostas da assessora especial.

Segundo Socorro França, estudo da Fiocruz já destacou que 46% dos jovens que buscaram as drogas o fizeram por curiosidade. "Os pais não abordaram o assunto da forma devida, o mesmo deve ter ocorrido com o educador", observa, reiterando que as ações devem ter o foco na prevenção.

Fonte: Diário do Nordeste

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