segunda-feira, 24 de março de 2014

Modelo baleada se recupera e planeja casamento em Goiás: ‘Nasci de novo’










Atingida durante assalto, jovem diz que já consegue enxergar do olho ferido. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
A modelo Lorrane Melo, 27 anos, que foi baleada durante um assalto à residência da sogra, em Goiânia, se recupera em casa ao lado da família. Em entrevista exclusiva à TV Anhanguera, ela contou os momentos de tensão que viveu e o medo de que o tiro tivesse atingido o filho, de 1 ano e 4 meses, que estava em suas costas quando foi ferida. A jovem tenta superar o susto e já faz planos para o casamento com o noivo. “Nasci de novo. Agora eu faço aniversário duas vezes ao ano”, afirmou.

Lorrane foi baleada durante um assalto na noite de 27 de fevereiro, no Setor Bairro Feliz, na capital, quando a modelo saía da casa dos sogros na companhia do filho e do noivo. Três homens armados invadiram a casa e roubaram diversos pertences da família. A ação foi flagrada pelas câmeras de segurança da residência.

A modelo teve alta após ficar dez dias internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde passou por uma cirurgia. Segundo os médicos, ela não conseguia enxergar do olho direito nem podia movimentá-lo. Aos poucos, ela afirma que apresenta melhoras. “A cirurgia foi um sucesso e eles [médicos] reconstruíram uma parte onde a bala entrou. Ficou perfeito, ficou ótimo. Eu tive apenas um probleminha no olho direito, mas esses dias já comecei a ter visão”, afirma.

Lorrane diz que ainda apresenta inchaço, mas que se sente bem. “Eu estou ótima. Ainda estou inchada por causa da cirurgia, estou cheia de pontos. Então, precisamos dar um tempo para a recuperação. Antes a dor era tanta que eu achava que iria morrer no hospital. Mas agora estou bem”, garante.

Apesar da melhora, a jovem afirma que o episódio a deixou com medo até de sair na rua. “São tantas coisas ruins que acontecem que agora tenho medo até de atravessar a rua para ir na esquina, no supermercado, pois acho que posso ser assaltada de novo. Eu nunca imaginava que fosse levar um tiro na cabeça, por isso é difícil. Foi e está sendo difícil lidar com isso. Desde o assalto, eu não durmo, não tive uma única noite tranquila até hoje”, destacou.

Segundo Lorrane, durante o assalto, o maior medo era de que acontecesse algo com o filho. A criança estava no carro da família e foi levada para dentro da casa por um dos criminosos. O menino subiu nas costas da mãe, onde estava quando ela foi baleada. “Ele subiu para brincar de cavalinho e aí o bandido atirou na minha cabeça. Eu lembro de tudo, só não de quando levei o tiro. Não dava para raciocinar. Eu só pensava no meu filho”, ressaltou.

A modelo conta que os criminosos ameaçavam a família o tempo todo. “Para mim, parece que foi um filme de terror ali, ao vivo, é uma imagem que vai custar a sair da minha cabeça, por que foi tudo muito difícil. Não sei por que ele [criminoso] atirou em mim. Eu tento entender, mas ninguém sabe responder. Ele pediu a minha corrente, eu tentei tirar, tirei, e ele nem a levou. Depois a acharam no meio do meu sangue na sala”, relata.

Lorrane afirma que só ficou mais calma quando viu que os bandidos tinham fugido e que não percebeu que estava baleada. “Eu só pensava no meu filho e fiquei mais tranquila quando os vizinhos vieram ajudar. Na hora em que levei o tiro, perguntei para minha sogra o que tinha acontecido, pois eu não senti. Mas jorrava sangue pelo ouvido, pelo nariz, boca. Aí me preocupei de novo, pois quem leva um tiro na cabeça e sobrevive? Então, achei que estava morrendo”, lembra.

Depois de tudo o que passou, ela diz que agradece por estar viva. “Foi um milagre. Agradeço todos os dias, pois Deus me meu a vida de volta. Estou sendo uma guerreira e vou superar isso”, ressaltou Lorrane, que diz que o apoio que recebeu durante o período de internação no Hugo foi fundamental para sua recuperação. “Queria agradecer a toda a equipe médica, pois eles são uns amores de pessoas e me ajudaram muito.”

Planos e alívio

Em meio à recuperação, a modelo já consegue fazer planos para o futuro. Entre eles, está o casamento com o noivo, Paulo Braun. “A gente já estava noivo antes do que aconteceu e agora, com certeza, teremos casamento. Ele ficou nervoso quando me viu sangrando. É uma cena que ele nunca queria ver”, diz Lorrane. A data da cerimônia ainda não foi definida pelo casal.

Paulo, que estava com a modelo durante o assalto, diz que ficou muito preocupado com a saúde da noiva. “Eu tinha medo que ela ficasse com alguma sequela, mas, graças a Deus, ficou tudo bem e ter ela aqui é um alívio”, disse o rapaz.

A mãe de Lorrane, Divaína Maria de Melo, afirma que o coração dela quase parou quando soube que a filha tinha sido baleada. “Ela estava na casa dele [noivo], eu estava esperando em casa para dar comidinha para o bebê, aí fiquei sabendo que ela estava era no hospital, baleada. Felizmente, passou e agradeço a Deus todos os dias”, diz a mulher, emocionada.

Já o pai da modelo, Rodolfo Goralles, conta que os momentos vividos até saber que a filha estava bem foram muito angustiantes. “Quando me deram a notícia que ela estava falando, perguntando sobre o filho, eu me acalmei mais e tentei segurar as pontas. Agora, ver ela de volta, é um presente de Deus”, destacou.

Para o irmão de Lorrane, Igor Goralles, a família só ficou tranquila mesmo quando a modelo recebeu alta e voltou para casa. “A gente sabia que ela tinha grandes chances de se recuperar, mas só fomos acreditar ao vê-la voltando, normal. A turma aqui ficou meio abalada, mas ver ela em casa é só alegria”, destacou o rapaz.

Investigação

A polícia prendeu na última quinta-feira (20) mais um dos suspeitos do assalto. O jovem, de 18 anos, foi encontrado em uma casa da zona rural de Bonfinópolis, a 35 km da capital. Ele é irmão do rapaz já detido, que confessou ter efetuado o disparo que atingiu a vítima. Um terceiro envolvido continua sendo procurado.

De acordo com o delegado Paulo Ribeiro, do Grupo de Repressão de Roubo a Residências, o inquérito policial já foi concluído. “O documento já foi remetido ao Fórum para prosseguimento e responsabilização dos autores”, afirmou.

Segundo ele, os suspeitos foram indiciados por tentativa de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. “Nesse caso, como não foi consumada a morte, eles respondem pela tentativa de homicídio e pela subtração de objetos de valores”, explicou.

Para Ribeiro, o que mais chamou a atenção nesse caso foi a brutalidade dos criminosos. “A Lorrane e o noivo contaram que colaboraram para a ação dos bandidos. Tudo o que era exigido foi cumprido e mesmo assim ela foi surpreendida por esse disparo de forma covarde e brutal. Ela não oferecia nenhuma resistência, estava de bruços com o filho nas costas, e ainda assim foi vítima desse tiro”, disse o delegado.

Ao ser preso, o suspeito que atirou disse que o tiro foi acidental. Para o delegado, essa versão não procede. “No instante em que ele pediu para ela tirar o cordão de ouro, ele já dispara, então a gente vê que ele teve a intenção de ceifar a vida dela, até de forma injustificável”, afirmou Ribeiro.

Crime

No dia do assalto, o portão eletrônico da garagem já estava aberto para a família sair quando a eles foram abordada por três homens. Os pais do noivo estavam no andar de cima da casa e toda a família foi feita refém. Enquanto um dos criminosos vigiava a rua, outro recolhia pertences das vítimas. Um terceiro os ameaçava com uma arma. A ação durou cerca de 20 minutos e foi flagrada pelas câmeras de segurança da casa.

Durante a abordagem, o filho da modelo permaneceu na cadeirinha, dentro do carro. Lorrane, já deitada no chão da sala, pediu que o buscassem. O menino foi colocado no sofá por um dos criminosos e, depois, no chão. Mas a criança subiu nas costas da mãe.

Instantes depois, o assaltante com a arma efetuou o disparo que atingiu a cabeça da modelo. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hugo. O bebê não ficou ferido.

Fonte: G1 GO, com informações da TV Anhanguera

Projeto abre polêmica no Senado

Lorena Alves
Senador Cristovam Buarque diz que injetar verba no atual sistema de educação é jogar dinheiro fora, afirmando que a estrutura está carcomida. (Foto: Agência Senado)
Considerada um dos maiores entraves do País, a elaboração de políticas de educação configura um desafio no Brasil. Argumentando que é inviável dar um salto na área sem alterar sistematicamente a atual estrutura, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) propõe transferir a responsabilidade sobre o ensino básico, que hoje é das prefeituras, para a União. Especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste divergem sobre o tema, mas admitem ser urgente implantar mudanças.

Tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal projeto de decreto legislativo assinado por Buarque que prevê um plebiscito no primeiro turno das eleições deste ano sobre a federalização do ensino básico. A votação da proposta já foi adiada em duas reuniões consecutivas do colegiado.

Procurado pelo Diário do Nordeste, o senador Cristovam Buarque afirma que não há interesse da atual base aliada da presidente Dilma Rousseff em aprovar mudanças que alterem significativamente o sistema de educação do País. "O Governo Federal não quer mudar nada na educação, quer deixar que os pobres dos prefeitos sejam os culpados. Defende a municipalização da criança", critica.

O senador afirma que a União deve adotar os municípios, argumentando que os alunos tenham as mesmas oportunidades, independentemente da cidade onde moram. "Não significa federalizar as escolas de hoje, a proposta é criar novas escolas. Absorveríamos os atuais professores, mas colocaríamos numa carreira nacional". A adesão ao modelo seria voluntária e os colégios equiparados às escolas técnicas.

Fundeb

O professor Idevaldo Bodião, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, opina que transferir a responsabilidade para o Governo Federal não é necessário nem viável politicamente. Ele justifica que a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado pela Câmara Federal em 2012 - que deve voltar à Casa este mês para votação final - resolve a questão porque amplia os repasses do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação.

Na prática, o aumento da verba federal transferida aos municípios eleva o custo de investimento por aluno. "A ideia é avançar para uma implantação. O MEC (Ministério da Educação) trabalha com os recursos disponíveis. A proposta é trabalhar com os valores necessários", ressalta.

O especialista aponta que a intenção de incrementar a carreira dos professores também seria garantida com a aprovação do PNE, discutido desde 2010, que traça metas ao período de dez anos. "Se queremos uma carreira atrativa, pode ser conseguida com a votação do PNE, transferindo para o Fundeb. Teríamos dentro do atual padrão legal um caminho mais rápido", aposta.

Por sua vez, o senador Cristovam Buarque mostra-se descrente em relação à efetividade do Plano Nacional de Educação. "O PNE apenas diz 10% para o PIB em educação, mas não diz como. Se jogar 10% do PIB no atual sistema educacional, vai jogar dinheiro fora". E completa: "o atual sistema está carcomido, tem que criar um sistema novo, tem que ser igual, independentemente de cidade".

De acordo com Buarque, o Plano traz avanços ao País, mas não resolve o problema histórico da educação. "O PNE minimiza, mas não resolve. Não piora, mas não dá o salto. Mesmo ampliando, não consegue atrair. Na saúde, foi preciso contratar dez mil médicos de fora", compara, referindo-se ao Mais Médicos.

Para a docente e ex-secretária estadual da Educação Sofia Lerche, a tese da federalização é "instigante". "Mas como prática é algo a se pensar", pondera a educadora, que hoje atua como professora visitante da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e integra a pós-graduação em Educação da UECE.

A especialista reconhece que ainda há desigualdades da distribuição da verba do Fundeb entre os municípios, mas relata que, após a criação do Fundo, houve avanços em relação aos investimentos. "Há uma correção das desigualdades que não atinge o desejável, mas federalizar é uma empreitada muito complexa".

Desconstruir

Sofia Lerche esclarece que a Constituição Federal estabelece o Pacto Federativo, que distribui responsabilidades entre municípios, estados e União. "O caminho (para a federalização) é mais difícil porque implica em desconstruir algo que a gente tem tentado fazer", pontua.

A educadora Tânia Batista, da Universidade Federal do Ceará, explica que transferir as responsabilidade da Educação para a União traz aspectos positivos, já que o Governo Federal arcaria com uma área que os municípios e os estados não têm condições de dar conta. Porém, ela lembra que a União não tem se mostrado favorável à proposta.

A docente ressalta que o ponto central da discussão sobre a educação é o financiamento e a prioridade para os investimentos do Governo. "É importante destacar que o problema são os poucos recursos repassados para a educação", defende. O Diário do Nordeste entrou em contato com as Secretarias de Educação de Fortaleza e do Ceará, mas as assessorias de imprensa informaram que as pastas ainda não se posicionariam sobre o tema.

SAIBA MAIS

Investimento

Cristovam Buarque pauta a atuação política em defesa da educação. Em 2006, foi candidato à Presidência da República com uma plataforma de propostas cuja bandeira maior era o investimento em educação

Igualdade

A federalização da educação básica é encarada pelo senador como a única forma de colocar todos os alunos em par de igualdade no sistema educacional e fortalecer a carreira nacional de professor

PNE

O ex-presidente Lula apresentou o PNE no final de 2010. Foi aprovado na Câmara Federal em 2012. No Senado, recebeu alterações vistas pelos educadores como retrocesso, pois desresponsabiliza a União

Fonte: Diário do Nordeste

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