Campeão olímpico e tricampeão mundial dos 50m livre avalia os dois primeiros meses em Belo Horizonte: 'O ritmo de vida está bem perto do que considero ideal'
- Saindo
de São Paulo, qualquer lugar é tranquilo. E eu venho do interior. Acho que BH
está nesse meio. Não chega a ser uma metrópole como Rio e São Paulo, mas também não é
interior. Aqui o trânsito tem hora marcada. A questão da qualidade de vida
considero bem melhor pela tranquilidade. Eu tenho feito bastante coisa a pé,
quase não pego meu carro. A sensação que tenho é que estou em uma cidade
muito mais tranquila, com um ritmo de vida muito mais tranquilo. O ritmo de
vida está bem perto do que considero ideal. Aqui eu faço até feira – contou
Cielo, que também não abre mão de cozinhar sua própria comida.
Em contraste com a rotina tranquila, a agitação
dentro das piscinas do Minas Tênis Clube também foi determinante para a escolha de Cielo. Depois de uma temporada treinando
praticamente sozinho, intercalando períodos em São Paulo e nos Estados Unidos, o
campeão olímpico encontrou no clube de Belo Horizonte o cenário ideal para se
manter desafiado. Treinar constantemente com outros destaques das provas de
velocidade do Brasil passou a ser uma de suas prioridades em 2014.
-
O que
ficou mais complicado de tudo no Arizona (EUA) é que ainda estava nadando sozinho.
E eu estava precisando ter um parâmetro. No ano passado, que estava limitado
em várias coisas por causa da cirurgia (nos dois joelhos), funcionou treinar sozinho. Não era
mesmo a hora de ficar competindo com ninguém. Funcionou para aquele período de
recuperação que precisava respeitar o meu corpo, a minha cicatrização. Mas,
desde que voltei a sentir firmeza no joelho, percebi que me desafiar com outras
pessoas estava faltando no meu treinamento - explicou.
Nas raias
da piscina aberta do clube, Fernando Silva e Nicolas Oliveira são os estímulos
de que Cielo tanto sentia falta. Os amigos de longa data da seleção brasileira
agora são parceiros de time e “rivais”. Entre uma brincadeira e outra, o trio
de velocistas acaba se desafiando dentro d’água. O bom momento vivido pelo
clube também é um ponto a favor. O Minas é o atual campeão do Troféu Maria
Lenk, principal competição brasileira da modalidade, e favorito ao título na
edição deste ano, de 21 a 26 de abril, em São Paulo.
-
O
pessoal aqui gosta muito de dar as boas-vindas e, principalmente, de perguntar
se eu vou torcer para o Cruzeiro ou Atlético. Sempre que sou parado na rua
acabam me perguntando isso. Eu respondo que vou torcer para o América.
Mas é bacana esse orgulho que eles têm daqui. Não querem saber do resto do
mundo. Querem saber do Galo e do Cruzeiro. Mas, por enquanto, o assédio está
tranquilo. Aqui no clube, às vezes pedem para tirar foto, mas até que eles
respeitam bastante os meus horários de treino.
A boa
relação que tem construído com o técnico Scott Volkers também deixa o
nadador otimista. O estilo de treinamento do australiano, parecido com o do seu
antigo técnico, o americano Scott Goodrich,
facilitou a transição. À vontade no clube e com seu novo comandante, Cielo não
pensa em mais mudanças ou voltar a treinar nos Estados Unidos. Pelo menos não
por agora.
- Eu vou
passar um bom tempo aqui. Vejo minhas idas para os Estados Unidos mais para competições.
Mas se no meio do caminho eu achar interessante por alguma razão passar um
tempo treinando lá, não vejo problema nenhum. Mas conversei com o Scott e acho
que a gente precisa passar uma temporada inteira junto para ver se é isso
mesmo. Nunca vi dificuldade em mudar na parte profissional. Eu até gosto,
pois você faz um balanço de tudo. Pretendo seguir assim até
2016. Mas se por algum motivo eu começar a não nadar bem, é hora de pensar em
mudança. Mesmo sendo a um ano das Olimpíadas - alertou.
Integrar-se
para valer à equipe e adaptar-se à nova casa, no entanto, é no que Cielo mais tem
pensado nos dois últimos meses. Nos momentos de folga, sempre aproveita para
sair para jantar com os amigos de clube, namorar - quando recebe a visita em BH
da modelo Kelly Gisch - e jogar
videogame. Este último é um dos seus “esportes” favoritos.
-
Eu
mato muita gente na internet. Jogo usando aqueles microfones e xingo todo
mundo. Pareço um moleque de 11 anos. Normalmente, nem revelo quem eu sou. Só
quando estou ganhando mesmo – revelou, às gargalhadas, o nadador.
Não
fosse a
enorme cabeleira que foi “obrigado” a cultivar nos últimos meses, Cielo
não
teria do que reclamar dessa nova fase. Acostumado a cortar o cabelo
sempre em
um mesmo cabeleireiro em Santa Bárbara d’Oeste, o nadador agora está à
procura de alguém em Minas que possa substituir o seu Natan à
altura.
- Essa é
uma das coisas às quais eu realmente ainda não me adaptei. Preciso muito
de um cabeleireiro. Estou muito acostumado com o Natan. Já pensei até
em pagar uma
passagem para ele vir cortar o meu cabelo. Mas aí também achei exagero –
disse
Cielo, que espera agora ser “salvo” por uma boa indicação do modelo e
companheiro de clube Felipe Martins.
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