
No último dia 29, Renato Aragão, 77, gravou o seu programa sabendo que
não iria voltar ao estúdio da Globo na semana seguinte. Com mais de 50
anos de TV, o trapalhão despediu-se do humorístico semanal "A Turma do
Didi", que, assim como o "Casseta & Planeta", está fora dos planos
da emissora para 2013.
O choro tomou conta da "turma" de Aragão; a atração está no ar desde
1998.
"Há um ano eu já sabia que ia acabar, mas fui empurrando, pedindo para
esticar, não queria me desapegar", conta Renato Aragão à Folha. "Não foi
fácil dar a notícia à equipe, mas a Globo me prometeu que vai realocar
todo mundo", completou ele.
A emissora extinguiu seus dois humorísticos mais antigos para arejar as
respectivas faixas. Pesava sobre ambos o desgaste da fórmula e, no caso
do "Casseta & Planeta", que é produzido há 20 anos (considerando a
atração anterior, "...Urgente!"), a queda de audiência.
"Eu sempre fui líder de audiência e não acredito que o meu tipo de humor
envelheça", afirma Renato Aragão.
"Tanto que exibimos trechos antigos dos 'Trapalhões' no meio da 'Turma
do Didi'. É a mesma linguagem atemporal, voltada para a família. Digo
isso porque as crianças continuam rindo", continua.
Com mais de 50 anos de carreira, o trapalhão atribui o fim de seu
programa à necessidade da Globo de inovar e de apostar em atrações com
temporadas curtas, política da gestão do diretor de entretenimento,
Manoel Martins.
"Eles querem ter cada vez menos programas fixos na grade", explica
Aragão.
Entre as novidades que poderão ocupar a vaga de Didi e dos cassetas está
uma nova atração de humor, mantida em sigilo pela emissora.
O canal está atrás de novos humoristas para rechear o programa, que terá
Marcelo Adnet (MTV), se contratado, como carro-chefe.
Aragão, que é fonte de inspiração para muitos humoristas da nova
geração, não acompanha as descobertas da comédia stand-up nem as novas
apostas da TV no gênero (veja ao lado).
"Admiro os antigos, como o Oscarito. Quando o vi no cinema pela primeira
vez, larguei tudo e fui atrás de fazer as pessoas rirem", diz.
CARREIRA
E as risadas provocadas pelo trapalhão começaram nos anos 1960, na TV
Ceará. De lá para cá, só cessaram uma vez, por longos seis anos, quando
os parceiros "trapalhões" Zacarias e Mussum morreram, nos anos 1990.
"Foi a maior tristeza da minha vida. Deixei a TV e não queria voltar",
conta Aragão. "Um dia acordei e vi que não poderia ficar viúvo para
sempre. Fiz um filme e percebi que o público me queria."
Mesmo com o fim de "A Turma do Didi", Aragão diz que não vai parar de
trabalhar. O humorista fará dois telefilmes por ano para a Globo (em
abril e outubro). Também seguirá como um dos apresentadores da campanha
"Criança Esperança" e terá um especial de fim de ano.
"Em 2014, tentarei retomar o programa em temporadas", planeja ele. "Não
estou me aposentando, não, viu? No dia em que eu colocar o pijama e
chinelão, morro."
UOL
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