Polícia Civil apresentou ontem o material apreendido com a quadrilha.
Prosseguem as buscas pelos quatro foragidos e outras frentes de ação
serão realizadas em mais cidades (Foto: Bruno de Castro)
Um ex-policial militar e um empresário do ramo de combustíveis
abasteciam a quadrilha de tráfico de drogas desarticulada pela operação
“Depurare” na cidade de Granja (Zona Norte do Ceará), na noite da última
quinta-feira, 7. A informação foi divulgada ontem pelos órgãos
envolvidos na operação: Delegacia de Narcóticos (Denarc), Ministério
Público do Estado (MP/CE) e Promotoria do município.
Na ação, um adolescente foi apreendido e 26 pessoas foram presas, cinco
das quais de uma mesma família paraense, acusada de gerenciar o comércio
de entorpecentes na região. Mais quatro integrantes estão foragidos.
Outras frentes de ação serão realizadas pelos três órgãos.
Os perfis dos primeiros detidos foram divulgados ontem, em coletiva a
imprensa. Quase todos tinham passagem pela Polícia. Parte da maconha e
do crack vendidos em Granja por Antônio Nilson do Amaral de Sousa, o
Júnior Roco, vinha de Fortaleza, segundo as investigações. O ex-sargento
José Erisbelto de Aguiar Monteiro, conhecido como Nenem, é acusado de
fornecer os produtos. O militar foi expulso da PM justamente por
tráfico. Chegou a ser preso em 2004, mas estava em liberdade.
Roco é apontado como o líder do bando de Granja, ao lado do irmão,
Adriano do Amaral de Sousa, o Didi. A mãe, Hilda Francisca do Amaral de
Sousa, a Hilda Furacão, é acusada de esconder dinheiro e armamento numa
casa a 40 km da cidade. Conforme as investigações, Roco também recebia
apoio da irmã Antônia Bruna do Amaral de Sousa e do irmão Adeilson do
Amaral de Sousa.
Já a cocaína comercializada por Roco e Didi teria origem em Novo
Oriente. O esquema funcionava assim, segundo a Polícia: Antônio
Marcelino do Nascimento Filho, o Careca, recebia entorpecentes do
patrão, o empresário José Aroldo Ximenes Coutinho, e repassava-os aos
irmãos, que mantinham um comércio como fachada. Aroldo tem duas
passagens pela Denarc (2004 e 2007) e uma pelo extinto Carandiru (SP).
Segundo o titular da Denarc, delegado Pedro Viana, Roco revendia droga
para pelo menos quatro municípios cearenses: Barroquinha, Camocim,
Tianguá e Jijoca de Jericoacoara, onde o acusado de chefiar o tráfico no
município - Façanha Torres da Cunha - foi preso. Outras localidades
estão sendo investigadas.
Roco teria contado com o apoio de assaltantes de bancos e até de um
padeiro camocinence. Ele responde por dois latrocínios. “O Roco era
muito temido. Mandava e desmandava em Granja. A população comemorou (a
prisão). E ele também traficava armas. Mas a quadrilha tem mais do que
esses presos”, cita Viana.
ENTENDA A NOTÍCIA
As investigações da Polícia Civil duraram cinco meses e iniciaram por
provocação do MP/CE. As prisões foram efetuadas em Fortaleza, Itarema,
Jijoca de Jericoacoara, Granja, Camocim, Barroquinha, Tianguá e Novo
Oriente.
Saiba mais
Os presos: José Batista Maia (Amnésia), Daniel Benício Meneses (Niel),
Jadson Rafael de Lima (Rafael Pernambuco), José Erisbelto de Aguiar
(Nenem), Elinardo Ferreira da Silva (Pica-pau), Ramilson Geovane Pereira
(padeiro de Camocim), Antônio Nilson do Amaral (Didi), Antônio
Marcelino do Nascimento Filho (Careca), Erilene de Sousa Ferreira
(Leninha), Samara Custódio da Costa, Antônio Leandro Monteiro da Costa,
André Luís Ferreira, Façanha Torres da Cunha, José Aroldo Ximenes,
Antônia Bruna do Amaral de Sousa, Rosemery Ferreira da Rocha, Adeilson
do Amaral de Sousa (Capote), Márcio Sales de Moraes (Mocó), Maria do
Livramento Tomaz (Menta), Benedito Clementino (Gordo), Hilda Francisca
do Amaral de Sousa (a Hilda Furacão), Manoel de Jesus Pinto (Régis
Raposo), Carla Rachel Ribeiro, José Wellington de Freitas (Pivete) e
José Geovani de Freitas (Chumbo).
O nome do jovem não é revelado em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Fonte: O Povo
Fonte: O Povo
Número de mulheres assassinadas no Ceará cresce 15%
Entre 2010 e 2012, a quantidade de mulheres assassinadas no Ceará saltou de 171 para 197. (Foto: Alcides Freire)
Sete anos após ter sido sancionada a Lei Maria da Penha, os casos de
violência contra a mulher continuam crescendo. Nos últimos três anos, a
quantidade de mulheres assassinadas no Ceará saltou de 171 para 197, um
aumento de 15,2%. Na Capital, o crescimento foi de 14,9%: foram 67
homicídios em 2010 contra 77 em 2012. Os números são da Secretaria da
Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e foram oficiados pelo Núcleo
de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público Estadual (MPE).
O aumento é resultado da “cultura machista”, defende Rena Gomes, titular
da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). “Nunca se prendeu tantos homens
agressores quanto hoje. Desde que a Lei Maria da Penha foi implantada,
foram presos cinco mil em Fortaleza”, afirma. A cada ano, são presos
cerca de 600 agressores. A pena varia de três meses a 30 anos.
A Secretaria Executiva Regional (SER) VI é a área da Capital com o maior
número de casos de violência contra a mulher, sendo Messejana o bairro
que lidera as ocorrências, de acordo com dados de uma pesquisa
desenvolvida pelo Observatório da Violência Contra a Mulher (Observem),
da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
“Além de ser populosa, a Regional VI apresenta os maiores percentuais em
termos de população total e de pessoas na extrema pobreza, no qual 23
bairros apresentavam um percentual acima de 4% da sua população vivendo
com até R$ 70 mensais dentre os 29 existentes”, informa a pesquisa do
Observem.
Diante do diagnóstico apresentado no relatório, órgãos de defesa da
mulher se uniram no dia 25 de novembro - Dia Internacional de
Enfrentamento da Violência contra a Mulher - de 2012 com o compromisso
de promover ações de combate ao longo deste ano. Um debate ontem marcou o
início do projeto na Escola Estadual Deputado Paulo Benevides, em
Messejana.
O intuito é conscientizar e problematizar sobre a Lei Maria da Penha com
população do bairro, em especial os jovens, detalhou Elizabeth das
Chagas, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a
Mulher da Defensoria Pública. Segundo ela, 94% das mulheres sabem que
existem a lei, mas apenas 13% conhecem o conteúdo.
Magnólia Barbosa, procuradora e coordenadora do Núcleo de Gênero
Pró-Mulher do MP, lembra que Messejana foi escolhida para ser o
bairro-modelo. Outras regiões devem passar pela mesma iniciativa. “Acho
que tem aumentado a coragem da mulher de denunciar. Antes da lei, as
mulheres tinham medo”, avalia.
Serviço
Para denunciar casos de violência contra a mulher:
Ligue 180. Você também pode chamar o Ronda do Quarteirão do seu bairro.
Fonte: O Povo
Fonte: O Povo
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