Marta Maria Ribeiro foi a primeira a falar no julgamento de Sandro Dota.
Bianca Consoli foi morta, aos 19 anos, por asfixia em setembro de 2011.
A mãe dela foi a primeira a falar ao júri. O depoimento dela durou duas horas e 40 minutos. Ela chorou ao lembrar do momento em que encontrou a filha morta. "A primeira imagem que vi foi minha filha jogada no chão com a cabeça virada de lado. Pensei que ela tinha caído. O pescoço estava rígido e a cabeça dura", afirmou. "Saí desesperada e pedi a um vizinho que fizesse massagem cardíaca nela. Quando ele fez a massagem, saiu uma sacola plástica da boca dela", contou.
A mãe de Bianca afirmou que ouviu de uma amiga de infância da vítima que Sandro a assediava. Essa amiga de Bianca, testemunha protegida, desistiu de depor nesta terça-feira e alegou ter sido ameaçada por telefone por Sandro, que está preso.
Sandro Dota era marido da irmã de Bianca, Daiana Ribeiro Consoli. Daiana o conheceu ao visitar o marido, internado em uma clínica para dependentes de drogas. Ao saber do relacionamento entre Sandro e Daiana, o marido dela se matou.
A mãe de Bianca disse que a enteada de Sandro, de 6 anos, disse, após o crime, que ele a observava tomando banho. Marta também afirmou que ele não gostava de ser contrariado e que deu cavalo de pau em sua moto em frente a uma loja da família após um desentendimento com Daiana.
(Foto: Roney Domingos/G1)
Delegada
A segunda testemunha a depor nesta terça-feira foi a delegada Gisele Aparecida Capello Lelo, primeira a presidir o inquérito. Ela relatou ter ouvido de uma testemunha o relato de que Sandro se insinuava para a cunhada e chegou a dizer para ela a frase "Ai se eu te pego".
Vestido de blusa preta e calça marrom, Sandro assistiu ao depoimento mantendo-se com a coluna alinhada ao encosto da cadeira e movimentando os lábios constantemente.
Chamada a falar pela defesa do réu, a delegada disse que indiciaria Sandro mesmo sem o exame de DNA, primeiro por causa do comportamento agressivo dele e depois, pelo fato de ser mulherengo. Também disse que havia motivo para o crime, porque ele tinha interesse em Bianca, que nunca correspondeu ao assédio e tinha medo de que a família descobrisse. Segundo a delegada, diante dos antecedentes criminais de Sandro, preso anteriormente por furto, cogitou-se a hipótese de que o crime fosse patrimonial, o que não se confirmou.
Investigador
Maurício Vestyik, investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP), começou a ser ouvido por volta das 20h10 desta terça-feira. "Os demais suspeitos apresentaram álibis plausíveis, menos o Sandro", declarou o policial civil perante o júri. "Até as 14h14, ela conversava com o Bruno (namorado) por telefone. Ela foi encontrada morta por volta das 19h. Nesse período o Sandro não tinha álibi", completou.
"Ele disse para nós que ficou assando pão, mas uma testemunha o viu andando a pé. E a avó disse que o viu chegar próximo da casa", disse. Os investigadores dizem que a máquina de fazer pão estava em cima da mesa, de acordo com a mulher dele, sem uso há dias.
O investigador também lembrou que Sandro foi o único a se recusar a fornecer sangue e a impressão palmar, sob o argumento de não estar disposto a fazer prova contra si mesmo. O suspeito também não deu explicações convincentes para um dos três ferimentos encontrados no corpo.
O investigador disse que a princípio a polícia não tinha suspeita de Sandro. "Quando chegamos à casa, vimos a roupa. A mulher dele (Daiana, irmã da vítima) autorizou que a roupa fosse levada e deixou que os investigadores a fotografassem entregando a peça."
Segundo o policial, a mulher de Sandro disse quando entregou a peça que ele voltou para casa, trocou de roupa e tomou banho. Os investigadores encontraram na casa sacolas semelhantes à encontrada na boca da vítima.
O investigador afirma que Sandro esteve em dois momentos naquela tarde em uma empresa de entrega, às 14h e às 16h30, sendo que permaneceu lá por cerca de dois minutos em cada uma das ocasiões. "Ele foi à empresa, depois foi para casa e depois teria saído a pé", segundo testemunhas, disse o investigador.
Os investigadores mapearam os deslocamentos de Sandro por meio de antenas de celular (ERBs) que o deixam na vizinhança do local do crime no momento em que ocorreu. Também foram a chaveiros da região para saber se Sandro fez cópias de chaves.
Segundo o investigador, a cena do crime apontava para luta corporal. Foram observados maços de cabelo e móveis fora do lugar. Também entrou na conta o temperamento da vítima, que reagiu a um assalto certa vez e colocou o ladrão para correr. Também disse a familiares, ao ver uma notícia de estupro na televisão, que preferia morrer lutando a se entregar.
O depoimento do investigador Maurício Vestyik terminou por volta das 22h15. Em seguida, a juíza Fernanda Afonso de Almeida encerrou o primeiro dia de julgamento. A sessão deverá ser retomada a partir das 10h desta quarta-feira (24).
Julgamento
O julgamento acontece quase dois anos após Bianca ser assassinada na casa onde morava, na Zona Leste de São Paulo. A estudante foi encontrada com um saco na boca e sinais de agressão pelo corpo. Segundo a perícia, ela tentou se defender com as mãos, mas foi imobilizada.
O Ministério Público sustenta que Dota matou Bianca porque ela não quis fazer sexo com ele. O réu, que está preso preventivamente, nega o crime. Dota será julgado por um júri formado por quatro homens e três mulheres.
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