quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Missão Velha-CE: CREAS amplia atendimento a mulheres vítimas de violência 03/10/2013










Beto Fernandes
A assistente social, Angelina Aragão informa que o objetivo é ampliar o atendimento a mulher (Foto: Beto Fernandes)
17 mulheres estão recebendo atendimento psicossocial dentro do Projeto Mulher de Coragem em Missão Velha. Através de oficinas de sensibilização elas recebem orientações de encorajamento e melhoria da autoestima.
As elevadas taxas de violência contra a mulher quer no ambiente familiar, quer no comunitário, levaram o CREAS (Centro de Referência Especializada da Assistência Social) de Missão Velha a executar o Projeto Mulher de Coragem. A assistente social, Angelina Aragão informa que o objetivo é ampliar o atendimento a mulher. “Os números são assustadores com uma mulher sofrendo agressão a cada segundo e outra sendo morta a cada minuto no Brasil. Diante dos casos que chegam a Delegacia de Polícia e aqui no CREAS Municipal identificamos a necessidade de expandir o trabalho e o debate da questão de gênero como forma de prevenir a ocorrência de nossos casos”, afirmou.

O CREAS Municipal de Missão Velha tem recebido a demanda de violência contra a mulher de forma espontânea, bem como por referência da Proteção Social Básica, ou seja, dos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social). Um levantamento da rede socioassistencial foi desenvolvido pelos técnicos do equipamento identificando parceiros para aplicação da metodologia utilizada no atendimento às mulheres vítimas de violência.

Entre outubro e dezembro acontecem oficinas de saúde com foco sobre prevenção do câncer ginecológico e de mama, Direitos da Mulher (Lei Maria da Penha), Roda de Conversa e Mobilização Municipal com caminhada na feira Livre como forma de chamar a atenção da população sobre o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher em 25 de novembro, apresentação das funções do Conselho de Defesa da Mulher e comemoração natalina.

Angelina Aragão comentou sobre os casos mais comuns de violência entre as que estão participando do Projeto Mulher de Coragem. “São variadas como a psicológica, física, moral e patrimonial que atingem de forma assustadora maltratando a figura da mulher”, ressaltou. Angelina citou ainda pontos que fazem com que a mulher continue dependente do esposo ou companheiro como a falta de condições financeiras, preocupação com a criação dos filhos, medo de ser morta caso rompa a relação, falta de autoestima e vergonha de admitir que é agredida e de se separar, por uma sociedade conservadora e machista. Segundo a assistente social existe uma dependência afetiva da mulher para com o companheiro. “Ela confunde a dependência afetiva com submissão sentimental ao companheiro agressor. Ela acha que tem obrigação de manter a relação mesmo sofrendo e muitas vezes não tem apoio da familia para sair deste momento de violação de direito que se encontra”, acrescentou.

A dona de casa, F.C.S., 48 anos, residente na zona rural de Missão Velha é uma das mulheres assistidas no projeto. Ela disse que está começando a aprender que esposa e marido têm responsabilidade dentro de uma casa. “Eu ‘tô’ vendo que a gente deve também dizer dentro de casa que também somos gente. Nós temos sentimentos ‘né’? Então a gente exige respeito para nós e para nossos filhos”, comentou.  Segundo ainda, F.C.S, as mulheres não sabiam que tinham os direitos que estão sendo apresentados dentro do projeto. “Eu gosto de meu marido, mas ele precisa entender que preciso gostar de mim também e me respeitar como esposa e mãe dos filhos dele”, concluiu mais confiante.

Falta acompanhamento para o agressor
É de conhecimento público a existência de uma rede para atender as mulheres vítimas de violência partindo dos CRAS, Delegacias da Mulher, passando pelos CREAS e ou, CRM (Centro de Referência da Mulher) e, se necessário, casas de passagens, caso corram risco de vida com os filhos, com a devida proteção e acompanhamento psicossocial.

Angelina Aragão disse que ainda é falha a política pública quanto à figura do agressor. “A Lei 11.340/2006 (Maria da Penha) é a que protege a mulher da violência doméstica e familiar. Nela há uma abordagem sobre o agressor que poderia ser acompanhado, se tivesse, por exemplo, equipe multidisciplinar, que além de atender a vítima, acompanhasse também o autor da agressão”, explicou. O Artigo 30 desta Lei trata das competências de uma equipe multidisciplinar que poderia atuar num Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

A reportagem ouviu o advogado José Boaventura Filho que também reconhece esse equívoco quanto ao acompanhamento da figura do agressor nas políticas públicas. Boaventura disse que há Juizado de Violência Doméstica em Juazeiro e Crato que trabalha com equipe multidisciplinar muito bem quanto à mulher, mas que desconhece a atuação em relação ao agressor.

Serviço:
Projeto Mulher de Coragem
CREAS (Centro de Referência Especializada da Assistência Social) Municipal)
Travessa Manoel Freire, Nº 05, Bairro Centro
Telefone: (88)9790-9975
Missão Velha (CE)

Nenhum comentário: