sexta-feira, 16 de maio de 2014

Famílias agricultoras investem na produção agroecológica de algodão


Há três décadas no sítio Lajinha, no município de Ouricuri, o cultivo de algodão estava em declínio. A praga do inseto bicudo e o uso de agrotóxicos para eliminá-lo das lavouras arruinava o potencial produtivo do solo e prejudicava a saúde dos camponeses. Como consequência os roçados definhavam e a prática de plantar algodão acabou sendo abandonada pelos agricultores.
Em 2005, com assessoria da ONG Chapada e o apoio do Projeto Dom Helder Câmara do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) a história seguiu outra direção. Famílias da comunidade que desejavam resgatar a cultura do algodão organizaram-se através da Associação de Pequenos Agricultores do Sítio Lajinha e retomaram o cultivo, desta vez, de forma diferente.
A ideia era viabilizar a produção de algodão agroecológico, sem a utilização de insumos químicos. Seu Antônio Viana, agricultor e na época presidente da associação em Ouricuri, participou de um intercâmbio, na cidade de Quixadá – CE e de lá trouxe novos métodos para desenvolver o cultivo com os produtores. Um grupo de doze famílias foi organizado para iniciar o plantio do algodão agroecológico. O trabalho foi feito em parceria com associados e entidades apoiadoras de assistência técnica rural. A Embrapa Algodão participou da articulação visando desenvolver práticas sustentáveis para a lavoura e promover a autonomia das famílias. Neste processo doou sementes e investiu na capacitação e formação dos produtores. Participamos de intercâmbios, recebemos visitas de técnicos agrícolas. 
Isso tudo foi muito bom pra gente. Hoje sabemos que o uso de agrotóxico compromete a qualidade do solo, da água, dos alimentos e da nossa saúde. Também aprendemos que o plantio consorciado ajuda a produzir mais, pois além do algodão, podemos produzir ao mesmo tempo e numa mesma área, o amendoim o feijão e o gergelim, explica Francisco Delmondes da Silva, agricultor, secretário de organização da Associação Pequenos Agricultores do Sítio Lajinha, conhecido como Chicão.
O agricultor revela que apesar do incentivo havia dificuldade para conscientizar os agricultores sobre a necessidade de conviver com as adversidades do Semiárido. Pois em função do atraso das chuvas alguns produtores desistiram de plantar. Quando o inverno chegou apenas seis agricultores estavam envolvidos no projeto.
Mesmo com pouca adesão, o plantio foi iniciado em 2011 e o resultado foi 70% de aproveitamento na colheita. A primeira comercialização do algodão agroecológico ocorreu no mesmo ano. Com ajuda do PDHC e da ONG Chapada, uma empresa francesa reconheceu o valor agregado ao produto e decidiu comprar toda a produção, por um preço justo.
Após dois anos de seca, a produtividade sofreu uma baixa, mas em 2014, com advento do período chuvoso, o cultivo foi retomado com mais vigor. Não queremos desanimar, entendemos que este é um bom projeto, pois trabalha com a agroecologia e tem a contribuição de ajudar a melhorar a vida do homem no campo. Temos batalhado bastante na comunidade, buscamos agregar 14 famílias este ano, e até agora 11 estão conosco plantando, acrescenta Chicão.
A produção de algodão agroecológico se concentra atualmente nas cidades de Araripina, Ouricuri e Santa Cruz, nas comunidades dos sítios Lajinha (Ouricuri), e Alho (Araripina) acompanhadas pelo Chapada, e nas localidades dos sítios Frei Damião (Santa Cruz), e Agrovila (Ouricuri), assessoradas pela ONG Caatinga.
Hoje a comunidade do sítio Lajinha soma muitas conquistas, como infraestrutura hídrica para famílias da localidade, dispõe de tecnologias como a cisterna de 16 mil litros, (BAP) Bomba de Água Popular (BAP), barreiro-trincheira, barraginha, barragem-subterrânea e cisterna-enxurrada, alcançadas através do Programa Um Milhão de Cisternas Rurais e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), ambos da Articulação no Semiárido. A mesma comunidade conta com o apoio do PDHC para o desenvolvimento das atividades produtivas de apicultura e avicultura, através de unidades produtivas que funcionam de forma coletiva na comunidade.

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