Há três décadas no sítio Lajinha, no município de Ouricuri, o cultivo
de algodão estava em declínio. A praga do inseto bicudo e o uso de
agrotóxicos para eliminá-lo das lavouras arruinava o potencial produtivo
do solo e prejudicava a saúde dos camponeses. Como consequência os
roçados definhavam e a prática de plantar algodão acabou sendo
abandonada pelos agricultores.
Em 2005, com assessoria da ONG Chapada e o apoio do Projeto Dom
Helder Câmara do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) a história
seguiu outra direção. Famílias da comunidade que desejavam resgatar a
cultura do algodão organizaram-se através da Associação de Pequenos
Agricultores do Sítio Lajinha e retomaram o cultivo, desta vez, de forma
diferente.
A ideia era viabilizar a produção de algodão agroecológico, sem a
utilização de insumos químicos. Seu Antônio Viana, agricultor e na época
presidente da associação em Ouricuri, participou de um intercâmbio, na
cidade de Quixadá – CE e de lá trouxe novos métodos para desenvolver o
cultivo com os produtores. Um grupo de doze famílias foi organizado para
iniciar o plantio do algodão agroecológico. O trabalho foi feito em
parceria com associados e entidades apoiadoras de assistência técnica
rural. A Embrapa Algodão participou da articulação visando desenvolver
práticas sustentáveis para a lavoura e promover a autonomia das
famílias. Neste processo doou sementes e investiu na capacitação e
formação dos produtores. Participamos de intercâmbios, recebemos visitas
de técnicos agrícolas.
Isso tudo foi muito bom pra gente. Hoje sabemos
que o uso de agrotóxico compromete a qualidade do solo, da água, dos
alimentos e da nossa saúde. Também aprendemos que o plantio consorciado
ajuda a produzir mais, pois além do algodão, podemos produzir ao mesmo
tempo e numa mesma área, o amendoim o feijão e o gergelim, explica
Francisco Delmondes da Silva, agricultor, secretário de organização da
Associação Pequenos Agricultores do Sítio Lajinha, conhecido como
Chicão.
O agricultor revela que apesar do incentivo havia dificuldade para
conscientizar os agricultores sobre a necessidade de conviver com as
adversidades do Semiárido. Pois em função do atraso das chuvas alguns
produtores desistiram de plantar. Quando o inverno chegou apenas seis
agricultores estavam envolvidos no projeto.
Mesmo com pouca adesão, o plantio foi iniciado em 2011 e o resultado
foi 70% de aproveitamento na colheita. A primeira comercialização do
algodão agroecológico ocorreu no mesmo ano. Com ajuda do PDHC e da ONG
Chapada, uma empresa francesa reconheceu o valor agregado ao produto e
decidiu comprar toda a produção, por um preço justo.
Após dois anos de seca, a produtividade sofreu uma baixa, mas em
2014, com advento do período chuvoso, o cultivo foi retomado com mais
vigor. Não queremos desanimar, entendemos que este é um bom projeto,
pois trabalha com a agroecologia e tem a contribuição de ajudar a
melhorar a vida do homem no campo. Temos batalhado bastante na
comunidade, buscamos agregar 14 famílias este ano, e até agora 11 estão
conosco plantando, acrescenta Chicão.
A produção de algodão agroecológico se concentra atualmente nas
cidades de Araripina, Ouricuri e Santa Cruz, nas comunidades dos sítios
Lajinha (Ouricuri), e Alho (Araripina) acompanhadas pelo Chapada, e nas
localidades dos sítios Frei Damião (Santa Cruz), e Agrovila (Ouricuri),
assessoradas pela ONG Caatinga.
Hoje a comunidade do sítio Lajinha soma muitas conquistas, como
infraestrutura hídrica para famílias da localidade, dispõe de
tecnologias como a cisterna de 16 mil litros, (BAP) Bomba de Água
Popular (BAP), barreiro-trincheira, barraginha, barragem-subterrânea e
cisterna-enxurrada, alcançadas através do Programa Um Milhão de
Cisternas Rurais e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), ambos da
Articulação no Semiárido. A mesma comunidade conta com o apoio do PDHC
para o desenvolvimento das atividades produtivas de apicultura e
avicultura, através de unidades produtivas que funcionam de forma
coletiva na comunidade.
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