Ancelotti e Simeone adotam 4-4-2, mas utilizam alterações para confundir ou quando possuem desfalques. Ambos os times têm dúvidas quanto aos titulares para a final
O confronto marca o encontro de dois
times que usam o 4-4-2 britânico, esquema mais usado no mundo, e que segue o
"manual" do futebol moderno: marcação rígida e compacta somada à
velocidade na transição. Os rivais atuam sem inovações ou modismos, mas com
muita obediência e se aproveitam de características individuais para atacar.
O Real Madrid tem por hábito deixar o
jogo rodar mais. Durante a temporada, Ancelotti tentou jogar com Isco pela
esquerda, colocou Jesé num 4-2-3-1 e Bale num 4-3-3, mas só achou o esquema
ideal com Dí Maria na esquerda para deixar Cristiano Ronaldo mais livre na
frente. As duas linhas de quatro, porém, ganharam variações. A primeira delas é
o apoio agudo de Bale pela direita. Como o técnico explicou, "defendemos
no 4-4-2, atacamos no 4-3-3": o camisa 11 tem liberdade para se infiltrar na
área ou fazer a diagonal junto a Benzema e CR7, tentando a conclusão a gol ou o
passe, tudo isso abusando da velocidade que possui.
No outro lado, o esquerdo, a fluência
ofensiva atende pelo nome de Dí María. O argentino apoia aberto pela esquerda,
enquanto Cristiano vai para a área. Na velocidade, tenta ganhar de um lateral e
fazer o passe na linha de fundo ou encontrar Modric, que apoia mais pelo meio.
Como não poderia deixar de ser, o
contragolpe é outra arma fortíssima da equipe merengue. Ancelotti tem
trabalhado e aperfeiçoado a movimentação de Benzema e Bale, para que os dois deixem
CR7 na frente. Funciona assim: o time recupera a bola na defesa e
automaticamente aciona ou o camisa 9, ou o 11. Eles têm a função de carregar a
bola enquanto Cristiano avança, e no limite da linha de impedimento, fazem o
passe diagonal para o astro do time concluir.
Defensivamente, o Real adota o 4-4-2,
fechando a própria área e tendo Benzema mais ativo no cerco ao adversário do
que Cristiano Ronaldo. O clube merengue busca fechar os espaços do adversário,
utilizando nove jogadores, que ocupam cerca de 30 metros. O resultado é uma compactação
extrema, como manda o futebol moderno.
Já o Atlético de Madrid, apesar de
conhecido pela forte defesa, também tem variações ofensivas. A principal delas pode
ser alterada na grande final, caso Diego Costa fique de fora. Em geral, o
camisa 10 comanda boa parte das jogadas ao abrir de um lado (geralmente o
esquerdo), puxar a marcação de um lateral e permitir que Villa (ou Adrián) se
infiltre na área com um dos alas (Koke ou Turán). A estratégia fortalece as
jogadas de bola aérea, ponto forte da equipe.
Por jogar em espaço curto, o jogo é
mais físico e de velocidade do que de pensamento e técnica. E aí está um dos
segredos do time de Simeone: a recomposição. Assim que um jogador perde a bola,
todos os outros fazem de tudo para voltar a seus posicionamentos iniciais o
mais rápido possível (o 4-4-2), e assim proteger o gol de Courtois. E é por
esta razão que fazer gol de contragolpe no Atlético é tarefa tão complicada.
Já na saída de bola os colchoneros pressionam.
Por exemplo, se o lateral do oponente estiver com a bola, os 11 do Atlético
compactam e vão para cima do adversário. No 4-4-2, a linha da defesa se fecha, o ala do lado
oposto fica com um volante, e o atacante do lado ajuda na ponta. Tudo tão
treinado que, sufocado, o adversário é forçado a errar.
Há uma série de estratégias que destacam
ambos os times. Com Tiago e Gabi, por exemplo, o Atlético tinha mais poder de
organização no meio. Agora, com Suarez e Tiago, é o português quem organiza as
jogadas (como no primeiro gol contra o Chelsea). Já o Real Madrid ganhou força
defensiva com a entrada de Coentrão, o que possibilitou Modric a apoiar mais no
ataque, geralmente com Bale.
Para a final desse sábado, as lesões
montaram um quebra-cabeça enorme nas cabeças de Ancelotti e Simeone. Do lado
merengue, Cristiano Ronaldo não está 100%, mas deve mesmo jogar. Benzema e Pepe
ainda são dúvidas, e Ancelotti avisou que se Pepe estiver fora, vai escalar
Varane. Já para a vaga do lesionado Xabi Alonso, o mais provável é que
Illarramendi assuma o posto.
No Atlético, Diego Costa treinou na
véspera da decisão e parece estar confirmado no time titular. Caso o brasileiro
naturalizado espanhol não entre ou precise ser substituído, há duas
possibilidades para Simeone: Adrían, mantendo o 4-4-2 e a dinâmica de
velocidade na frente, ou Raúl Garcia, que atuaria pelo meio, num 4-4-1-1 (ou
até um 4-2-3-1), deixando Villa como referência.
É possível imaginar que, com Adrián e
o 4-4-2 mantido, o Real tenha problemas para superar a pressão colchonera e dependa
mais de Cristiano e Bale. Ou que os merengues possam soltar Modric para dar
qualidade na chegada a frente.
Se a opção for por Raúl Garcia, o
Atlético recua um pouco, mas ganha ao prender o croata do Real e sufocar o rival
na intermediária. A bola aérea também pode ser decisiva num jogo que deve ser
marcado pelas faltas ou pelo embate no meio. Prender Tiago e Gabi é o desafio
do Real; superar os avanços de Dí Maria, que pode aparecer pelo meio, é o
desafio do Atlético.
Pelo menos uma coisa é certa: a final
da Champions League é jogo de erro zero. Uma final eletrizante que fará Lisboa
ser Madri - e o mundo.
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