Turismo
e Lazer alavancaram setor de serviços, com a criação de 1,7 mil
empreendimentos entre janeiro e julho (Foto: André Lima/Diário do
Nordeste)
Impulsionado pela proliferação de pequenos negócios, o
Ceará registrou o segundo maior índice de crescimento na criação de
empresas do País, no período compreendido entre de 1º de janeiro e
ontem. No comparativo com igual intervalo do ano passado, o Estado
apresentou um avanço de 17,6% no número de novos empreendimentos,
evolução que perde apenas para a verificada no mercado alagoano (de
18,7%). A expansão de novas empresas no Ceará é ainda mais expressiva
quando comparada com os dados de 2010: alta de 68,8%, o maior percentual
entre as unidades da federação.
Nos sete primeiros meses de
2012, 31,6 mil negócios foram abertos no Estado, incluindo os grandes e
também os do tipo Empreendedores Individuais (EIs). Em igual período do
ano passado, mais de 25,6 mil empresas haviam sido iniciadas. E, em
2010, o volume anotado era de somente 17,8 mil.
As informações
estão presentes no estudo "Perfil das Empresas e Entidades Brasileiras
2012", que faz parte do banco de dados do chamado Empresômetro (Censo
das Empresas e Entidades Públicas e Privadas Brasileiras), ferramenta
digital criada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) que fornece uma radiografia do cenário empresarial do País.
´Meio cheio, meio vazio´
Apesar
da forte ampliação no total, o Ceará, assim como todos os estados,
amargou redução de 18% na abertura de firmas de maior porte (sem
considerar os EIs). Segundo o presidente do Conselho Superior e
coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, os números do
País mostram um cenário de "copo meio cheio e meio vazio".
Isso
porque, de acordo com ele, os dados de Empreendedores Individuais
apontam para uma maior formalização, o que é positivo,"principalmente
para obtenção dos direitos previdenciários, sem contudo representar
maior geração de empregos". Enquanto isso, negativamente falando, as
grandes empresas, responsáveis por absorver um maior contingente de
profissionais, têm se retraído.
Excetuando-se os EIs, o Ceará
abriu, de janeiro a julho deste ano 9,9 mil empresas, contra 11,5 mil
verificadas em 2011, de acordo com o levantamento.
A liderança no
número absoluto de novas empresas pertence a São Paulo, que acumulou a
abertura de 275 mil firmas nos sete primeiros meses de 2012. Abaixo,
estão Minas Gerais (108 mil) e Rio de Janeiro (91 mil). O Ceará ficou em
10º, representando 3% de todos os empreendimentos inaugurados no
Brasil.
1 milhão de firmas
Em âmbito nacional, foi
alcançada a marca de um milhão de novos empreendimentos ontem, com 32
dias de antecedência em relação a 2011, ano em que a marca foi atingida
em 1º de setembro, e 81 dias antes que em 2010, o que ocorreu em 20 de
outubro.
De 1º de janeiro a 30 de julho de 2012, houve um
crescimento de 166.284 novas empresas do tipo EI no País, em relação a
igual período no ano anterior. De acordo com o estudo, São Paulo, Minas
Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram os estados que mais
registraram empresas nessa modalidade.
Para o autor do estudo e
supervisor de Estatísticas e Inteligência Tributária do IBPT, Othon de
Andrade Filho, há uma clara desaceleração dos novos negócios, excluídos
os EIs.
Regiões
O levantamento do IBPT também apontou as
regiões onde houve um aquecimento maior nos novos negócios. O principal
crescimento percentual de novas empresas ocorreu no Centro-Oeste, com
8,2%, seguido das regiões Norte, com 5,9%, e Sul, com 5,7% dos negócios
criados neste ano. Dos novos empreendimentos abertos nos sete primeiros
meses de 2012, 84.306 são voltados ao comércio varejista de artigos do
vestuário e acessórios, seguido por cabeleireiros, com cerca de 46.400
empreendimentos e 26.589 novos negócios em obras de alvenaria.
O
empresômetro pode ser acessado em tempo real pelo site
www.empresometro.com.br. Lá, é possível acompanhar o total de empresas,
entidades públicas e privadas, associações, igrejas, dentre outros, que
estão sendo abertas no Brasil.
Fortaleza acumula mais de 14 mil novos negócios
Com
quase metade do total de empresas criadas no Estado, Fortaleza ocupa a
sexta posição no País e a segunda no Nordeste, no ranking elaborado pelo
IBPT. Foram pouco mais de 14,6 mil empreendimentos novos no mercado da
Capital, de janeiro a julho, conforme o ´Empresômetro´. À frente, estão
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e ainda Salvador.
Em relação a 2011, Fortaleza obteve um crescimento de 26%, o equivalente a 3 mil empresas a mais em sua pauta.
No
entanto, a cidade cearense ainda representa pouco do ´bolo´ completo do
País: somente 1,43%. Do total de 14,3 mil firmas abertas, 9,9 mil são
da categoria de Empreendedores Individuais e o restante (4,3 mil) se
dividem entre micros, pequenas, médias e as empresas de maior porte.
Caucaia é destaque
Na
Região Metropolitana, o destaque ficou para Caucaia, município que viu
1,2 mil negócios serem iniciados, contra apenas 1 mil de 2011.
A
radiografia do IBPT ainda mostra que Maracanaú contabilizou mil novas
empresas, sendo a terceira colocada da Grande Fortaleza. A maioria
desses empreendimentos pertence ao setor de serviços, que, sozinho,
criou 7,1 mil firmas na Região Metropolitana de Fortaleza.
Serviços puxam
Dentro
desse universo, turismo e lazer contribuíram com os números mais
significativos (1,7 mil). Construção e engenharia tiveram 1.070
aberturas registradas pelo estudo do IBPT.
Comércio e indústria,
juntos, somaram 8,2 mil empresas criadas nos sete primeiros meses de
2012. No segmento público, foram nove as firmas que iniciaram
atividades.
Fonte: Diário do Nordeste