"Lampião
morreu no Estado de Minas, no noroeste de MG, no dia 3 de agosto de
1993, aos 96 anos de idade, de acordo com a certidão de nascimento dele,
que consta no livro"
Maria Bonita e Lampião, casal que habita o imaginário popular coletivo
Por Menezes y Morais *
O
fotografo, técnico em contabilidade e escritor José Geraldo Aguiar
promete revolucionar a história do cangaço brasileiro, no que diz
respeito a Lampião, o Rei do Cangaço.
Com 50 anos (ele nasceu em 16
de outubro de 1949), José Geraldo Aguiar passou 17 anos pesquisando a
vida de Lampião – que ele diz ter conhecido no interior de Minas Gerais –
e publicou Lampião o Invencível – Duas Vidas, Duas Mortes, o outro lado
da moeda (Thesarus, 2009).
O objetivo do livro, diz ele, é “provar”
que Virgulino Ferreira da Silva não foi morto pela Polícia na localidade
de Angicos, município de Poço Redondo (SE), na madrugada de 28 de julho
de 1938, ao lado de 11 companheiros, incluindo a lendária Maria Bonita.
O
livro de JGA certamente promoverá uma reviravolta na biografia de
Lampião, que nasceu em 7 de julho de 1897, no sítio Ingazeira e foi
criado em Vila Bela, atual Serra Talhada (PE), sendo transformado um dos
mais conhecidos cangaceiros brasileiros, cantado em prosa e verso, com
inúmeras biografias e cinebiografias.
Na redação da Nós – Fora
dos Eixos, José Geraldo Aguiar falou sobre o seu livro, no qual agradece
a Deus pela “dádiva de anunciar a sobrevida de Lampião.” Antes de
lê-lo, eu não acreditava em sua versão. Em História não existe talvez
nem “achismo”, inexistentes no relato do novo biógrafo do Rei do
Cangaço. Daí, dou crédito à sua versão.
Nós – Fora dos Eixos: Há
tempos alguns jornais noticiaram que você estava fazendo escrevendo uma
outra história de Lampião, que entrou para o imaginário popular
brasileiro como “O Rei do Cangaço”. O que isto significa?
Lampião está à esquerda de Maria Bonita
José
Geraldo Aguiar: Trata-se da verdadeira história de Lampião. O meu livro
é totalmente diferente das histórias que já escreveram sobre Lampião.
NFE:
O que ele tem de novo para acrescentar às dezenas de títulos que já
foram publicados sobre o tema, no Brasil e no exterior, inclusive na
Literatura de Cordel?
JGA: Em relação à morte, estou
contradizendo tudo que se escreveu: Lampião morreu no Estado de Minas,
no noroeste de MG, no dia 3 de agosto de 1993, aos 96 anos de idade, de
acordo com a certidão de nascimento dele, que consta no livro. O que se
diz em contrário foi uma farsa.
NFE: Você está contradizendo tudo o que se escreveu sobre Lampião. Tem como provar isso?
Conforme
José Geraldo Aguiar, Lampião teria escapado do cerco policial em
Sergipe e morrido de morte natural no interior de Minas Gerais. Foto de
uma das cinebiografias
JGA: Tenho. Eu convivo com Lampião, um
homem muito caridoso, durante cinco meses. Mesmo na época do cangaço,
ele era caridoso. Ele relatou pra mim os fatos. Eu me senti na obrigação
de não me acovardar. Senti-me na obrigação de transmitir para o mundo
essa mega-descoberta.
NFE: Saiba que este repórter é incrédulo
sobre o que você está afirmando, que Lampião não foi morto em Angico
(SE), ao lado da companheira, Maria Bonita, e que não teve a cabeça
cortada e exposta ao público, ao lado de Maria Bonita…
JGA: Pois saiba que essa versão não corresponde à verdade dos fatos com relação à morte de Lampião.
NFE; Como, quando e onde, então, Lampião morreu?
JGA:
Eu já disse, Lampião morreu de morte natural no dia 3 de agosto de
1993. E Maria Bonita no dia 3 de agosto de 1978. Eu provo isso no meu
livro.
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, é considerado um
gênio no que fez. Além do título de Rei do Cangaço, era poeta,
compositor - criou o Xaxado, uma variante do Baião - e costureiro. (Nota
da Redação).
NFE: Se você fala a verdade, a história muda, com relação a Lampião. Você diz que conheceu Lampião, vivendo com outro nome…
JGA;
No dia 28 de julho de 1938, no município de Poço Redondo, no estado de
Sergipe, no Nordeste brasileiro – eu conto isso no meu livro – houve a
impostura do tenente João Bezerra, com sua volante. O tenente Bezerra
anunciou o fim do cangaço independente, dizendo ter dado cabo ao rei e
rainha do cangaço, mais nove aliados. Foi uma mentira que entrou para a
história do cangaço. Eu, José Geraldo Aguiar, após 54 anos, descobri
Lampião vivo, no dia 15 de fevereiro de 1992, na cidade de São
Francisco, no Norte de Minas Gerais, na República Federativa do Brasil.